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 tempestade

O Dr. Furlan apostou no poder de Deus e na vontade e força do povo abrindo caminho para a tempestade chegar

Se precisava de algum sinal visível do que estava prestes a ser anunciado em Macapá, ele veio. Uma chuva torrencial começou justamente na hora da apuração. Todos viram aquilo, em pleno mês de outubro, quando não se costuma chover dessa maneira na região, como uma mensagem dos céus.

Alguns diziam que eram chuvas de bênçãos. Outros, que Deus estava lavando a sujeira do Amapá.

Só sei que não faltou nem água, nem sal.

Vou explicar.

As obras lentas e não entregues do atual governador e candidato à reeleição, Clécio Luís, foram apelidadas de “tartaruga cansada”, e a população estava ansiosa para “dar-lhe sal na tartaruga”, uma expressão que tomou conta do estado e chegou até à boca das crianças.

A vitória do Dr. Furlan foi linda. Sobrenatural.

Já era esperada. Porém, como estava muito claro que a luta era contra as máquinas e contra o poder de influência de Davi Alcolumbre em Brasília, havia o temor de que algo pudesse tirar do povo esse resultado.

As pesquisas encomendadas na véspera, demonstrando uma suposta “virada” do governador, chegando a 45%, e uma queda do Dr. Furlan para apenas 50%, só causaram ainda mais revolta na população, que cravou o 55 com força e confirmou nas urnas aquilo que já vinha demonstrando nas ruas e nas redes sociais.

Nitidamente, o grupo derrotado nas urnas já não tinha mais o que prometer ao povo.

Foram mais de 30 anos de promessas. E dois ícones dessas promessas não cumpridas são a conclusão da BR-156 e a ponte sobre o rio Jari, que ligaria o estado do Amapá ao Pará.

O povo decidiu que agora não tem mais perdão. A mudança e o desenvolvimento têm pressa.

Porém, o que empoderou o eleitor amapaense foi o trabalho e a entrega da gestão do Dr. Furlan à frente da Prefeitura de Macapá por cinco anos e dois meses.

O povo se sentiu, pela primeira vez, amado, valorizado, especial.

A mudança na cidade e a maneira como o “prefeitão” falava com a população mexeram profundamente com a autoestima das pessoas.

A sensação de que podemos nos tornar um grande estado, assim como conseguimos transformar Macapá em uma capital mais bonita e bem cuidada, tomou conta dos corações.

E, ainda que tenham existido muitas pressões, perseguições, acusações levianas e ameaças de quem detinha as máquinas, o povo não quis mais conviver com os prejuízos provocados pelo medo.

Decidiu romper com esse medo.

E apostou no trabalho e na dedicação que o Dr. Furlan provou ser possível realizar.

Na verdade, Dr. Furlan, também vítima de muitas perseguições — cujo ápice foi o afastamento dele e do vice-prefeito Mario Neto da gestão de Macapá, em março deste ano — arriscou tudo, inclusive a própria vida, acreditando que Deus e o povo ao seu lado seriam suficientes para vencer uma guerra que, para quem participou dela, era quase literal.

Nesta segunda-feira, para muitos contratados e até concursados, o inferno acabou.

Então, pela segunda vez, o improvável aconteceu.

Em 2020, Dr. Furlan derrotou o irmão de Alcolumbre no pleito municipal.

Em 2024, Dr. Furlan foi reeleito com mais de 85% dos votos, sem que nenhum de seus adversários apresentasse uma candidatura realmente competitiva.

E agora, mesmo sem a máquina da Prefeitura, ele derrotou o aliado de Alcolumbre, vencendo com 62,75% dos votos e deixando-o para trás, “no sal”, com apenas 36,97%.

Uma vitória avassaladora. Inédita.

Nitidamente, não foi uma disputa entre duas pessoas, nem entre dois grupos político-partidários.

Foi um confronto de forças entre as máquinas, o dinheiro e toda a influência em Brasília que poderia interferir de um lado, e o povo do outro.

Nessa, pela primeira vez, o povo ganhou.

O povo fez os cálculos e decidiu que queria como governador quem transformou a capital e colocou todo mundo para trabalhar.

O povo deu um basta, como uma mulher vítima de violência doméstica que, por anos, perdoa, confia novamente e insiste em acreditar que as coisas podem mudar. Até que, quando está quase sucumbindo diante de tantas promessas de mudanças não cumpridas, descobre que o sol ainda brilha, que ainda existe um horizonte e que nem todo homem é igual.

O povo descobriu que nem todo político é igual.

E se abraçou ao Dr. Furlan e a tudo aquilo que ele se propõe a fazer para melhorar a vida de todos.

A régua para medir a qualidade de um político se elevou bastante.

E a referência mudou.

A tempestade que varreu o poder de Alcolumbre do estado do Amapá foi provocada pelas mãos de Deus, que levantou um líder que sabe servir.

E quem terminou de escrever essa história foram os 281.595 eleitores indignados com aquilo que o Amapá nunca foi, mas poderia ter sido; maravilhados com aquilo em que Macapá se transformou; e decididos a romper com o passado sem olhar para trás.

A chuva caiu.

O povo votou.

E, no fim, a tempestade passou.

Mas deixou uma mensagem impossível de ignorar:

o Amapá decidiu mudar.

Adriana Garcia

Jornalista na Amazônia

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