
Macapá reage: decisão do STF afasta Dr. Furlan e população vai às ruas pedindo respeito aos 87% dos votos que o elegeram.
A quarta-feira amanheceu atípica em Macapá. Logo nas primeiras horas do dia, jornais e portais de notícias divulgaram a informação de que o prefeito da capital, Dr. Furlan, e o vice-prefeito, Mário Neto, haviam sido afastados de seus cargos por decisão monocrática do ministro do STF, Flávio Dino. A medida também alcançou alguns servidores da gestão municipal, entre eles a secretária de Saúde, Érica Aymoré.
A decisão está relacionada às investigações que apuram possíveis irregularidades envolvendo emendas destinadas ao Hospital Municipal. No entanto, para grande parte da população, a medida gerou uma série de questionamentos.
Entre os mais de 200 mil eleitores da capital, a pergunta que se repete é: seria realmente necessário afastar o prefeito e o vice-prefeito de seus cargos neste momento da investigação?
Segundo críticos da decisão, as diligências já haviam sido realizadas, documentos recolhidos e informações prestadas, o que, na visão de muitos, não justificaria uma medida tão drástica capaz de provocar instabilidade administrativa.

Após o afastamento da gestão, o Dr. Furlan usou as redes para anunciar sua pré-candidatura ao governo do Amapá
A preocupação se estende também à continuidade da gestão pública. Um exemplo citado por moradores é a ordem de serviço que estava prevista para esta semana, autorizando o asfaltamento de 12 vias no bairro Renascer — um projeto que contemplaria mais de 3 quilômetros de pavimentação.
Com o afastamento da cúpula da gestão municipal que tem sido muito bem avaliada pela população, surgem dúvidas sobre o andamento de obras, cronogramas e planejamentos que vinham sendo executados ao longo dos últimos anos. A prefeitura mantém uma estrutura administrativa organizada, com equipes que atuam há cerca de cinco anos na execução de políticas públicas e projetos estruturantes para a cidade.
Conhecido por manter uma agenda intensa de fiscalização e acompanhamento de obras, Dr. Furlan raramente se ausenta da cidade justamente para supervisionar pessoalmente as ações da gestão.
Após a decisão, o presidente da Câmara Municipal, Pedro Da Lua — aliado político do senador Davi Alcolumbre — assumiu interinamente a prefeitura da capital. O afastamento determinado pelo Supremo Tribunal Federal é de 60 dias.
Para muitos moradores, a medida pode trazer prejuízos à população, que teme impactos na continuidade dos serviços públicos.
Contexto político aumenta tensão
O afastamento ocorreu apenas um dia após Dr. Furlan comunicar oficialmente sua saída do MDB e anunciar sua filiação ao PSD. A movimentação política fortalece o projeto de reeleição do senador Lucas Barreto e também a possível candidatura de sua esposa, Rayssa Furlan, para uma das vagas ao Senado, em uma disputa que pode alterar significativamente o cenário político do estado.
Dr. Furlan havia retornado de Brasília na madrugada e, por volta das 6h da manhã, foi surpreendido pela presença da Polícia Federal em sua residência para o cumprimento da decisão judicial.
Após o episódio, o prefeito anunciou em suas redes sociais que é pré-candidato ao Governo do Estado do Amapá, decisão que, ao que parece, seria divulgada em outro momento dentro de um planejamento, mas acabou sendo antecipada diante do cenário político.
O anúncio intensificou ainda mais as reações populares ao longo do dia.
Manifestação reúne apoiadores em frente à prefeitura
No final da tarde, uma multidão formada por apoiadores, servidores públicos, aliados políticos e parlamentares da base do prefeito se reuniu em frente à Prefeitura de Macapá em uma manifestação de apoio a Dr. Furlan e de protesto contra a decisão judicial.
Durante o ato, manifestantes destacaram o trabalho realizado pelo prefeito ao longo de sua gestão, lembrando que ele foi eleito com mais de 85% dos votos ao lado do vice Mário Neto.
Também foram citadas as obras e entregas realizadas em diversos bairros da capital e nos distritos, além da presença constante do prefeito acompanhando serviços e fiscalizando ações da administração.
Entre os discursos, foi recorrente o pedido para que o processo democrático seja respeitado e que as disputas políticas ocorram no campo eleitoral.
Muitos participantes defenderam que qualquer disputa deve ocorrer “nas urnas e pelo voto”, e não por meio de medidas que, na avaliação deles, interferem diretamente na vontade popular.

A população lembrou do trabalho incansável do prefeito Dr. Furlan e quer que esse trabalho alcance os outros municípios.
Recurso já foi apresentado
Conhecido por seu perfil pragmático e pela preocupação com o andamento da gestão pública, Dr. Furlan retornou a Brasília ainda no mesmo dia para recorrer da decisão.
A expectativa entre apoiadores e parte da população é de que a medida seja reavaliada rapidamente, permitindo o retorno da chapa eleita ao comando da prefeitura.
Lideranças políticas de municípios como Mazagão, Cutias e Santana também participaram da manifestação, demonstrando apoio ao prefeito.
Durante o ato, foram feitas orações pelo prefeito, por sua família, pela equipe de gestão e também pelo futuro de Macapá e do Amapá.
Para seus apoiadores, Dr. Furlan se consolidou como a maior liderança popular do estado e é frequentemente citado entre os prefeitos mais bem avaliados do país. Isso também é um fator que o coloca em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de votos divulgadas recentemente, com 66%, o que, em se confirmando, lhe dará a vitória no primeiro turno. Eis o motivo principal de reações em Brasília.
Adriana Garcia
Jornalista na Amazônia
