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Ele foi a primeira criança do Maranhão a receber o prêmio de Amigo da Biblioteca.

Nathan Garcia mora em São Luís (MA) e nunca frequentou a escola tradicional. Aos nove anos de idade, já alcançou uma marca impressionante: mais de 1.300 livros lidos. Filho de Edie Garcia, empresário, e Vanessa Garcia, bancária, Nathan começou a ler antes mesmo de completar quatro anos, aprendendo pelo método fonético, conectando sons e palavras. Desde então, a leitura se tornou parte central de sua rotina.

Grande parte de sua formação foi conduzida pelo pai, com quem passa a maior parte do tempo. Os livros que já leu vêm de diferentes origens: comprados, doados, emprestados ou alugados na Biblioteca Pública, espaço que frequenta assiduamente. Ele também adora visitar sebos da cidade, sempre em busca de novas histórias.

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Aprendeu a ler pelo método fonético antes de completar 4 anos, e não parou mais.

Em entrevista, acompanhada pelo pai e com a participação animada de Nathan ao fundo, a família falou sobre a opção pela educação domiciliar, a rotina de estudos, o desenvolvimento do menino e os resultados positivos dessa escolha.

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O ambiente da sua casa foi todo adaptado para estímular a leitura e outras atividades cognitivas importantes

Edie Garcia explica que a decisão de educar os filhos em casa não tem motivação política ou religiosa, mas está ligada à sua própria experiência negativa com a escola tradicional.
“Eu sempre achei que havia algo de errado na escola. Como eu tinha facilidade para aprender, achava tudo muito entediante. O método escolar coloca todos no mesmo ritmo, e isso não respeita as diferenças individuais. Uns aprendem mais rápido, outros precisam de mais tempo. Acredito que o estudante poderia avançar muito mais se tivesse liberdade para seguir no próprio ritmo”, afirma.

Ele destaca ainda que considera a educação uma responsabilidade principalmente da família.
“Deus deu aos pais a missão de educar seus filhos. A educação ética e moral acontece dentro de casa. Quando a criança convive mais tempo com a família, observa o mundo real, aprende valores e entende melhor como a vida funciona”, explica.

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A interação social acontece em vários ambientes, como no Karatê. Seu irmão, Noah, também é aluno em homeschooling.

Segundo o pai, o fato de Nathan não frequentar a escola não prejudica em nada sua socialização. O menino pratica natação e karatê, convive com crianças da comunidade e costuma frequentar praças e outros espaços públicos.
“Os prazeres dele são ler, montar Lego e conversar. Ele brinca como qualquer criança. A vida dele é praticamente sem telas: só usa duas vezes por semana, com horários controlados”, conta Edie.

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Nathan se diverte e tem muita energia como qualquer criança. Adora passear na praça e conversar com as pessoas.

O gosto pela leitura começou cedo e foi se ampliando com o tempo. Entre os primeiros livros que Nathan leu sem imagens estão as sagas de Rick Riordan, como “Percy Jackson” e “As Crônicas dos Kane”. Depois vieram clássicos como “O Senhor dos Anéis”, “As Crônicas de Nárnia”, obras de Júlio Verne e diversos títulos infantojuvenis.

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Nathan lê quase o tempo todo e em lugares inusitados. Para todos onde vai, leva um livro. Aqui, era no circo.

Mais recentemente, o pequeno leitor mergulhou na ficção científica: leu toda a coleção “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, “Eu, Robô”, “Duna”, “Admirável Mundo Novo” e “Fundação”, de Isaac Asimov, com 873 páginas. Também aprecia quadrinhos, mangás, livros de terror e suspense, incluindo obras de Stephen King.

A Bíblia também faz parte de sua rotina de leitura. “Toda semana ele lê pelo menos cinquenta minutos. No momento está no livro de Ezequiel”, relata o pai.

Nathan tem ainda grande admiração por Monteiro Lobato. O primeiro livro com mais de trezentas páginas que leu foi “Reinações de Narizinho”. Ao todo, já leu vinte e dois livros do autor, muitos deles mais de uma vez.

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Com 6 anos, Nathan já "devorava" várias coleções. Superou o que muitos adultos não lêem a vida inteira.

A dedicação rendeu reconhecimento: por vários meses, Nathan foi o leitor que mais alugou livros na Biblioteca Pública Benedito Leite, uma das mais antigas do Brasil. Tornou-se o “Leitor do Ano” e foi a primeira criança do Maranhão a receber o prêmio de “Amigo da Biblioteca”.

Além da paixão pelos livros, o garoto impressiona pela memória. Ele memorizou todas as bandeiras e capitais do mundo e também as dos estados brasileiros. Lê, em média, de cinquenta a cem páginas por dia — o equivalente a dois ou três livros por semana.

Edie reconhece que o investimento financeiro em livros é alto, mas vê isso como prioridade.
“Como não pago escola, invisto em livros. Se somar tudo, é muito dinheiro, mas vale a pena. A biblioteca ajuda, mas não tem toda a variedade que ele gosta”, afirma.

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Encontro periódico interagindo com outras crianças que também são alunas em Homeschooling

Sobre o método de ensino, o pai explica que não segue um sistema pronto. Utilizou alfabetização fônica, materiais do professor Carlos Nadalim e o método de matemática de Singapura. Também recorreu a orientações da Associação Nacional de Educação Domiciliar (ANED) e da comunidade Classical Conversations (CC).

Ele esclarece que, no Brasil, a educação domiciliar ainda carece de regulamentação nacional.
“Atualmente só existem duas provas para certificação: a do Ensino Fundamental, a partir dos 15 anos, e a do Ensino Médio, a partir dos 18. Fora isso, não há um sistema de supervisão formal”, explica.

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Pai fez um perfil no Instagram @meninodagravataborboleta onde conta as aventuras do pequeno leitor

Edie também comenta sobre os desafios legais enfrentados por famílias que optam pelo homeschooling, como a possibilidade de enquadramento na lei de Abandono Intelectual, dependendo da interpretação de conselheiros tutelares. Por isso, ele registra todo o desenvolvimento do filho, inclusive por meio do perfil no Instagram @meninodagravataborboleta, criado como uma forma de documentar publicamente a evolução de Nathan.

O nome do perfil tem uma história curiosa: quando pequeno, Nathan acreditava que usar gravata borboleta significava estar elegante. Em um dia de gravação, correu para pegar a gravata e apareceu para o vídeo usando apenas ela — cena que inspirou o nome da página.

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Participando de um evento da AMCLAM, Nathan contou a biografia de Rui Barbosa  e uma lenda sobre ele.

Em abril deste ano, o menino foi convidado para participar da Sessão Solene do Concurso Nacional Pedro Ivo de Poesia 2025, promovido pela Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes Militares. Na ocasião, falou sobre Rui Barbosa e encantou o público com sua desenvoltura.

A família já foi destaque também em reportagem de TV sobre crianças criadas com pouco acesso às telas. A matéria surgiu depois que um profissional da emissora viu Nathan lendo um livro na sala de espera de um consultório — cena cada vez mais rara nos dias de hoje.

“Ele lê em todo lugar. Não consegue andar sem um livro. Para ele, a leitura não é obrigação. É prazer”, conclui orgulhoso o pai.

Adriana Garcia

Jornalista na Amazônia. 

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