
Que lado Alcolumbre defenderá se faz parte dos dois lados? Poder demais, corrupção e omissão têm consequências.
Já dizia o ditado: “quem com muitas pedras bole, uma lhe cai na cabeça”. Com os escândalos do Banco Master dobrando de tamanho a cada amanhecer, e a aplicação de R$ 400 milhões da AMPREV sendo parte de um desses capítulos escabrosos — conduzidos por pessoas ligadas a Alcolumbre —, o parlamentar amapaense foi colocado numa verdadeira sinuca de bico.
O regime de exceção mantido pelo presidente do Congresso, ao se recusar a pautar o impeachment de ministros, ignorando centenas de pedidos e dezenas de motivos graves, acabou sendo desmascarado pelo próprio sistema que, até pouco tempo atrás, o blindava. O mercado, representado por banqueiros e seus interesses escusos, decidiu jogar a sujeira no ventilador já ligado, e o odor se espalha por todo o país, começando pelo Amapá.
Nessa briga sem mocinhos — apenas vilões —, Alcolumbre joga nos dois times. Os recados já haviam sido dados pela grande imprensa que, desde o final do ano passado, transformou em notícia até uma caneta emagrecedora contrabandeada por Beto Louco e presenteada a Alcolumbre.
No ímpeto de retirar de vez o poder de Davi, foi a vez de Gilmar Mendes, que resolveu mudar a lei e decidir que apenas ministros podem impichar ministros. Alcolumbre fez um discurso contundente, porém nada convincente. O assunto esfriou rapidamente, talvez porque, desta vez, Gilmar Mendes tenha exagerado na dose, assustando até a grande imprensa.
O jogo seguiu seu curso até o dia em que Vorcaro foi pego e o Master faliu. Vieram à tona o escândalo dos R$ 129 milhões em honorários para a esposa de Moraes e o resort de Toffoli, tornando-o pivô de uma novela que incluiu até viagem de avião com o advogado do banqueiro para assistir a uma final de campeonato de futebol. Os falsos juízes que o Senado aprovou para ocupar o STF — indicados por um condenado em três instâncias — encontram-se numa situação cada vez mais insustentável. Chega a ser curioso como esse banco deu errado, mesmo contando com consultores de peso como Temer e Lewandowski.
Essa promiscuidade entre mercado e política, entre dinheiro e poder judicial, faz com que o povo brasileiro passe a ser rotulado como golpista simplesmente por não acreditar mais nas instituições democráticas. E a fila dos “golpistas” só cresce, pois até a Globo já soltou a mão da dupla dinamite, que explodiu e destruiu o Estado Democrático de Direito, a segurança jurídica e a Constituição brasileira. Nessa história toda, a única vítima é o povo brasileiro.
Mas e Alcolumbre? Parece que seu supremo poder o traiu, sua suprema arrogância o enlaçou, e agora, se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come. Com tantos indícios — que vão desde um show de Roberto Carlos no Amapá supostamente pago pelo PCC até assessor, homem de confiança, recebendo R$ 3 milhões de empresa laranja que desviou dinheiro de aposentados do INSS —, esperar de Alcolumbre alguma providência para afastar ministros é ingenuidade.
Ao que tudo indica, as relações entre eles se assemelham mais às de sócios. Rejeitado no Brasil e por grande parte do povo do próprio estado, a cadeira de presidente do Senado está prestes a se transformar em nada, pelo mau uso — ou pelo completo desuso. Barroso se borrou de medo do que poderia vir e pediu para sair. Talvez tenha sido a saída mais honrosa possível para quem jamais terá honra pelas omissões e pelos crimes dos quais participou de forma sabida e deliberada. Lewandowski viu a água batendo na bunda e fez o mesmo: evaporou do ministério da justiça.
Antes de destruírem o país, eles próprios estão implodindo, caindo nas armadilhas que criaram. Porque, uma hora, a lei da causa e consequência funciona — para felicidade geral da nação.
Adriana Garcia
Jornalista na Amazônia
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