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 cpi crime

Desde 2019, ministros do STF cometem crimes e criminalizam quem os denuncia.

A reação dos ministros do STF ao relatório da CPI do Crime Organizado, lido pelo senador Alexandre Vieira (MDB), só demonstra, mais uma vez, que aqueles que tiveram seus nomes citados — e contra os quais houve pedido de indiciamento ao final dos trabalhos da comissão — são exatamente o que Daniel Silveira disse que eram. E, por ter dito isso, perdeu o mandato e foi preso, sendo rotulado como alguém que ameaçava a democracia.

Mas e agora? Diante de indícios claros de envolvimento desses ministros — cuja reação apenas reforça as suspeitas — o senador Alessandro Vieira também perderá o mandato? Tornar-se-á inelegível? Ameaças não faltam, mas parece que, desta vez, a imprensa decidiu enxergar e denunciar aquilo que por tanto tempo negou e escondeu.

O problema grave é que muitos dos que hoje classificam como absurdas as atitudes desses ministros são os mesmos que, antes, afirmavam que eles “salvaram a democracia” ao facilitar o retorno de Lula à presidência, ao tornar Bolsonaro inelegível e, não satisfeitos, ao prender também generais e cidadãos comuns, sob a acusação de um suposto golpe.

Para esses, a única absolvição possível seria agora fazer todos os esforços para libertar presos e exilados, além de restituir os direitos políticos daqueles que, na prática, são vítimas de uma perseguição conduzida pela Suprema Corte. Ou isso acontece, ou aqueles que antes foram coniventes — e agora sentem na própria pele a perseguição que apoiaram — acabarão fazendo companhia aos presos do 8 de janeiro, rotulados como golpistas.

Não há mais espaço para neutralidade. Os “iluminados de toga” já não demonstram qualquer pudor. Suas posições passaram a ser tratadas como sinônimo de inocência, mesmo diante de provas abundantes que indicam o contrário.

Chega a ser cômico, se não fosse trágico. Aqueles contra os quais há pedido de indiciamento agora têm o poder de cassar e tornar inelegíveis justamente os que solicitaram esse indiciamento. Tudo recai nas mãos da PGR e do STF — inclusive os assuntos que envolvem os próprios integrantes desses órgãos.

Para os bolsonaristas, porém, trata-se apenas da repetição de algo que já ocorre desde 2019. O próprio inquérito das fake news — interminável — é repleto de irregularidades e nasceu de uma reação pessoal de Toffoli a uma reportagem que o atingia. Nada mudou; apenas se intensificou. Enquanto isso, muitos brasileiros — dos mais anônimos aos mais influentes — acreditavam que tudo não passava de uma disputa política, enquanto a Constituição era, pouco a pouco, rasgada.

A Globo, que sempre fez questão de classificar como “trama golpista” uma narrativa sem fundamento — e que resultou na prisão de pessoas inocentes —, chegou a rotular até idosas presentes no 8 de janeiro como terroristas. Agora, decide expor denúncias envolvendo ministros que antes eram tratados com prestígio e reverência. Como sustentar a prisão de inocentes enquanto se denunciam crimes graves de quem determinou essas prisões?

Na prática, esta República já ruiu. Não há perspectiva de solução para problemas crônicos quando aqueles responsáveis por fazer cumprir a lei deixam de observá-la. Não há como a vontade popular prevalecer quando seus representantes deixam de representá-la e passam a utilizar seus cargos como salvo-conduto para cometer irregularidades sem punição.

Ou os ministros citados pela CPI do Crime Organizado são afastados, investigados e, se for o caso, presos preventivamente — juntamente com o PGR —, ou haverá interferência direta nas investigações que os envolvem. Mais do que isso: tais investigações poderão ser impedidas, e aqueles que ousaram solicitá-las poderão ser punidos.

Se isso acontecer, talvez reste apenas perguntar aos chamados “criminosos togados” quem eles pretendem eleger como presidente, governadores, senadores e deputados. Porque, nesse cenário, o papel deles será garantir a eleição de figuras que jamais questionarão seu poder — tornando-se reféns permanentes e, consequentemente, arrastando todo o país para essa mesma condição.

Diante disso, muitos já não veem alternativa senão a queda daqueles que destruíram a República. E, por meio de eleições limpas, apostam na ascensão de homens e mulheres que consideram corajosos e tementes a Deus, capazes de conduzir o nascimento de uma nova República — e, com ela, reacender a esperança de um dia o país dar certo.

Adriana Garcia

Jornalista na Amazônia

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