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 ubs fazendinha

Relatos de assédio moral contra enfermeira grávida fazem servidores se revoltarem com a volta da ex-diretora colocada por Dalua.

Uma grave denúncia envolvendo possível assédio moral, irregularidades administrativas e um ambiente de trabalho considerado insustentável por servidores vem à tona na Unidade Básica de Saúde Pedro Barros Monteiro, localizada no bairro Fazendinha, em Macapá.

Com a recente mudança de gestão municipal, relatos apontam um aumento significativo de denúncias em diversos setores do serviço público. Um dos casos mais preocupantes envolve o retorno de uma diretora à unidade — profissional que já ocupou o cargo em gestões anteriores e que, segundo servidores, está sob investigação do Ministério Público do Estado do Amapá por supostas irregularidades administrativas.

De acordo com funcionários ouvidos pela reportagem, o histórico da gestora é marcado por perseguições, divisão de equipes e um ambiente de trabalho descrito como “tóxico”. O retorno da diretora teria provocado instabilidade imediata no corpo técnico da UBS, que agora pede a reconsideração da nomeação.

“Ambiente hostil e adoecimento emocional”, relata técnica de enfermagem

A técnica de enfermagem Núbia Pinheiro descreve o cenário como alarmante. Segundo ela, a unidade vinha passando por um processo de reorganização sob outra gestão, considerada mais colaborativa. No entanto, com a mudança, conflitos antigos teriam ressurgido.

“Houve polarização entre equipes, assédio, quebra de confiança. Chegaram a espalhar que tratávamos mal os pacientes, o que nunca foi comprovado. Nem um café entre colegas era possível, porque havia divisão interna”, relatou.

Núbia afirma ainda que desenvolveu problemas de saúde em decorrência do ambiente de trabalho:

“Tive crises de ansiedade, fui parar duas vezes na emergência e, em uma delas, precisei ser sedada após uma taquicardia severa. Hoje, não consigo sequer voltar à unidade. Minha família está preocupada. É muito desgastante.”

Servidor denuncia práticas administrativas irregulares

Um servidor com seis anos de atuação na UBS, que preferiu não se identificar por medo de retaliações, afirmou que práticas consideradas abusivas já ocorrem há anos.

Segundo ele, advertências eram aplicadas sem o devido processo legal:

“Servidores eram chamados para assinar advertências sem sequer saber do que estavam sendo acusados. Não havia direito à ampla defesa. Isso é gravíssimo dentro da administração pública.”

Ele também denuncia um caso envolvendo a enfermeira Kalen, que, segundo seu relato, sofreu assédio moral comprovado documentalmente, sem ter tido oportunidade de se defender.

Outro ponto levantado é a suspeita de irregularidades financeiras:

“Há indícios de que a diretora recebia adicional noturno sem cumprir plantões. Existem documentos que podem comprovar isso. Trata-se de possível fraude ao erário, o que já foi levado ao Ministério Público.”

Denúncia envolve violação de ética e sigilo médico

O mesmo servidor relata ainda um episódio considerado extremamente grave: a suposta tentativa da diretora de acessar informações médicas da enfermeira Kalen durante sua gestação.

“Ela teria ligado para alguém na maternidade de Santana para confirmar se a enfermeira estava realmente grávida. Isso fere completamente o código de ética da enfermagem e o sigilo do paciente.”

“Manipulação, perseguição e medo”, relata servidora efetiva

Uma servidora efetiva também denunciou práticas recorrentes de manipulação e perseguição dentro da unidade.

Segundo ela, a diretora utilizava o cargo para evitar o cumprimento da carga horária:

“Enquanto todos cumpriam suas horas, ela se mantinha em cargos de gestão para não trabalhar como deveria. Sempre tentou se manter no poder.”

A servidora afirma que chegou a denunciar os fatos ao sindicato da categoria e esperava mudanças após a troca de gestão — o que não ocorreu.

“Agora ela retorna como diretora. Isso causa indignação. É uma gestão marcada por medo, coação e falta de transparência. Eu continuo trabalhando, mas o mínimo possível dentro da unidade.”

Enfermeira grávida relata assédio e risco à gestação

A enfermeira Kalen Fragoso, grávida de oito meses e atualmente afastada por gestação de risco, afirma ser uma das principais vítimas da situação.

Contratada há dois anos, ela relata que passou a sofrer perseguições após identificar irregularidades na unidade.

“Eu não podia ser conivente. Havia plantões sendo pagos sem que profissionais estivessem presentes. Comecei a registrar tudo e, a partir daí, o assédio começou.”

Segundo Kalen, advertências eram aplicadas sem transparência e testemunhas falsas teriam sido usadas contra ela.

Ela também denuncia o episódio envolvendo seu prontuário médico:

“Ela tentou acessar meu prontuário para saber se eu estava realmente grávida. Isso é antiético e desumano. Fiz denúncia ao conselho de enfermagem.”

Mesmo afastada por questões de saúde e em seu oitavo mês de gestação, Kalen afirma continuar sendo alvo de perseguições:

“Dois dias após o retorno dela ao cargo, meu nome apareceu em uma escala  sem assinatura, que já é um erro grave. Mas eu não tenho como estar nos plantões noturnos e diurnos. Estou afastada e vivendo uma gravidez de risco. Isso mostra que o assédio continua.”

Ela relata ainda impactos diretos em sua saúde:

“Tive sangramentos no início da gestação. Hoje tenho diabetes gestacional. Não tenho condições psicológicas de trabalhar sob essa gestão.”

Clamor por mudança na gestão

O sentimento entre os servidores ouvidos é unânime: há temor quanto à permanência da atual diretora e apelo por uma nova indicação que garanta um ambiente de trabalho saudável.

“O prefeito precisa saber quem está colocando na gestão. Estamos falando de denúncias graves, de uma equipe adoecida e de uma gestante que sofreu assédio”, destacou um servidor.

Espaço aberto para manifestação

A reportagem mantém espaço aberto para manifestação da diretora citada, da gestão municipal e da Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA).

Enquanto isso, os servidores aguardam providências das autoridades competentes, especialmente do Ministério Público do Estado do Amapá, na expectativa de que os fatos sejam apurados e que medidas sejam tomadas.

Adriana Garcia 

Jornalista na Amazônia

 

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