
Após 30 anos sem contagem pública de votos, processo eleitoral no Brasil deixa rastros de ilegalidade
Era domingo, 8 de janeiro de 2023, e o Fantástico exibia o que, a partir dali, seria chamado de golpe, terrorismo e atentado contra o Estado Democrático de Direito.
No dia seguinte ao golpe fabricado no imaginário da grande mídia, do Judiciário e do novo governo que se anunciava, pessoas foram levadas para um local como se fossem bichos. Havia crianças, idosos, homens e mulheres comuns, sem antecedentes criminais. Eles ainda acreditavam que a Constituição Federal vigorava e que o direito à reunião e à manifestação continuava garantido. Nenhum crime, apenas o inconformismo com um resultado suspeito e a angústia de não saber a quem pedir socorro.
O último pronunciamento de uma autoridade antes da virada do ano de 2022 era de que o regime democrático não iria mudar. Mas, em apenas oito dias do novo ano, ficou claro que o Brasil já não seria mais o mesmo em termos democráticos. Não por causa dos manifestantes, mas por causa do que a Justiça, com a ajuda da grande imprensa, fez com eles.
A partir dali, o inferno seria o limite.
Generais, ex-ministros e até o presidente Bolsonaro foram condenados e presos. As Forças Armadas, sucateadas pela esquerda e honradas durante os quatro anos do governo Bolsonaro, nada fizeram. A alta cúpula continuou com seus privilégios garantidos e as promoções em dia.
Desse falso golpe, já temos 13 vítimas fatais. Presos ou submetidos ao uso de tornozeleiras eletrônicas sucumbiram a essa tragédia que muitos brasileiros decidiram ignorar e outros aplaudiram. Não houve anistia, e nem mesmo a dosimetria foi levada a sério. Um juiz tratou de enterrar o sonho de famílias que esperavam acordar desse pesadelo.
Ao tentarem se manter no poder, não pouparam milhares de pessoas. Mas a aposta foi dobrada.
Em 25 de outubro de 2026, a esperança de eleger Flávio se esvaiu diante da repetição de uma cena que remete a 2022. Cresci ouvindo que o dia da eleição é a grande festa da democracia. Hoje, porém, parece ser a festa de quem usurpa a democracia e insiste em chamar de democrático o regime que sustenta. Pior do que isso: é a festa de quem cala e criminaliza o cidadão comum que tem opinião.
As urnas foram fechadas. Duas horas de espera até que o resultado da Suprema Corte pudesse ser programado para, mais uma vez, aqueles números aparecerem nas telas de milhões de celulares e arrancarem da maioria do povo brasileiro a chance de ser governada por quem, de fato, ela escolheu.
A matemática foi tão afrontada que, desta vez, nem seria necessário conhecer o código-fonte para reconhecer o que considero um crime de lesa-pátria. Mas quem se importa? A quem recorrer? O poder que deveria anular o resultado foi justamente o poder que, na minha avaliação, executou o crime!
A festa democrática se transformou em um verdadeiro luto, no qual o poder do povo foi enterrado, talvez de forma definitiva. Cada abuso tolerado aumenta a fúria e o poder do abusador. O Brasil segue sob a influência de abusadores que não temem ninguém, e quem ousar questioná-los corre o risco de sofrer silenciamento, prisão e até morte.
Afinal, as facções terroristas festejaram. Os miseráveis, imbecilizados pela inanição e por uma educação militante, festejaram. A elite do funcionalismo público festejou. Mas quem produz, quem trabalha e quem minimamente sabe o que de fato aconteceu lamentou, chorou, porque já não se trata de mais uma eleição, mas de mais uma farsa.
Aquele contribuinte que sustenta toda essa estrutura, que deveria garantir a lei e o direito, sentiu-se um idiota, uma vítima sem ter a quem recorrer.
O Brasil assistiu, atônito, a uma campanha na qual, na minha avaliação, o governo reeleito cometeu vários tipos de crimes. Durante todo o processo eleitoral e no próprio dia da votação, crimes eleitorais teriam sido ignorados pela Justiça. E ai de quem tentasse julgá-los corretamente: seria ameaçado e até preso sob a acusação de atentar contra a democracia, justamente por tentar julgar os fatos de forma imparcial.
Para completar os atos que considero ilegais e imorais, o ex-advogado, amigo e companheiro de Lula, ministro da Suprema Corte Zanin, precisaria de duas horas para transformar o resultado da eleição naquele que, na minha avaliação, já estava encomendado.
Mas, no dia seguinte, o ministro não foi preso. Todos os que, segundo minha avaliação, cometeram crimes durante o processo também continuaram livres. Quem foi ameaçado, sem que houvesse um processo, foi Flávio Bolsonaro. Seu passaporte foi tomado e sua prisão decretada.
No dia seguinte, eles já estavam se reorganizando. Há os que vão ganhar com isso; há os que estão tentando sobreviver, adaptando-se àquilo que não conseguem mudar; há os que estão de malas prontas porque esse pleito seria a última chance que dariam a si mesmos para permanecer no próprio país; há os que começarão a planejar sua saída nos próximos anos; e há um povo que paga a conta e está prestes a ser silenciado definitivamente.
No dia seguinte, muitos já achavam normal a repetição do golpe pelos mesmos atores. Muitos não se importavam com a falência das instituições nem com a desesperança que isso provoca. Não houve voz de prisão ao ministro que, na minha avaliação, interferiu no processo. Se houvesse uma promoção, ele seria promovido.
Eu olho para esse cenário e penso que eles têm razão de odiar a família Bolsonaro, pois sabem exatamente a quantidade real de votos que Bolsonaro teve em 2022 e que Flávio teve agora. Deve ser desesperador. Mas nada que não possa ser resolvido com um jeitinho, não é?
O jeitinho brasileiro que enterrou o nosso próprio futuro.
Se antes andávamos em círculos, preparemo-nos para andar para trás. Quem deveria estar preso pelos crimes que cometeu poderá prender inocentes em uma nova leva de intimidações, para “dar o exemplo” e fazer a sociedade ficar em casa.
Não tenho bola de cristal, mas consigo enxergar algumas alternativas que, para mim, são impossíveis de acontecer. Não adianta ter um Congresso com maioria de direita quando uma ditadura já está instalada. Alguns parlamentares podem ser arrancados de seus lugares se não se sentarem para negociar aquilo que o tribunal já decidiu.
E, no ano que vem, um violador de vários direitos humanos presidirá a mais alta Corte do país.
Nem posso culpar a grande maioria do povo, pois, se dependesse dela, teríamos vivido os melhores e mais prósperos anos do Brasil entre 2023 e 2026 e, agora, estaríamos prontos para nos tornarmos a grande potência que temos vocação para ser. Tudo o que o Brasil poderia ser foi abortado pela própria Justiça.
E, como tudo pode piorar, o número de ministros políticos só vai aumentar, destruindo de vez qualquer representatividade e anulando a escolha popular.
Não creio em intervenção externa, embora esse seja o meu maior desejo diante da nossa impotência interna. Mas outros países podem ganhar com uma terra arrasada, repleta de miseráveis e, ao mesmo tempo, de tantas riquezas. Para eles, é mais fácil deixar o circo pegar fogo e aproveitar os despojos: desde nossos fartos recursos naturais até nossos gênios, que já estão indo embora, passando pela mão de obra de milhões de brasileiros, submetidos a condições cada vez mais precárias.
Não esperem guerras com bombas. Elas não virão da mesma maneira que imaginamos ou como vieram um dia. Já vivemos uma guerra com facções terroristas dentro do território nacional, que, na minha visão, são toleradas e protegidas pelo governo.
O Brasil não precisa de inimigos externos para ser destruído quando tem uma Suprema Corte que, na minha avaliação, está contribuindo para isso.
No final, em 2023, trataram como golpe uma manifestação. Diante do que considero uma eleição fraudada, continuam tratando como democracia aquilo que, na minha visão, representa mais um golpe contra a vontade popular.
Como faz falta, para muitos, a leitura de pelo menos dois livros: A Revolução dos Bichos e 1984.
Mas, em um país onde uma pessoa sai da escola sem saber contar e sem saber interpretar um texto, é pedir muito.
O ódio à família Bolsonaro existe porque ela revelou o que estava encoberto. Jair Messias Bolsonaro seria o único capaz de fazer do Brasil uma nação livre e próspera, justamente por não se render ao sistema e por colocar os interesses do povo acima dos próprios.
O Brasil tem sido impedido de escolher quem quer que o governe. E chegou a hora de chamar ditadura de ditadura!
Adriana Garcia
Jornalista na Amazônia
