
Os dois modelos de gestão estão claros. A população já sabe quem ela quer e quem ela não quer de jeito nenhum.
DUAS FACES DE UMA PRÉ-CAMPANHA E DOIS PROJETOS PARA O AMAPÁ
A quatro meses da eleição, a pré-campanha no Amapá apresenta duas faces bastante distintas. Uma delas já é conhecida pela população: marcada pela distribuição de cestas básicas, reuniões frequentadas pelas antigas bases políticas, forte estrutura financeira e pouca mobilização espontânea. É o grupo que muitos amapaenses passaram a identificar como o grupo do atraso.
A outra face surge de forma inédita para uma campanha estadual. Trata-se de um movimento caracterizado por forte engajamento orgânico, amplo apoio popular apontado pelas pesquisas de intenção de voto e pela construção de propostas voltadas para o futuro do Amapá.
De um lado, Clécio segue sem apresentar soluções para os problemas mais básicos do Estado, embora tenha à disposição toda a estrutura da máquina pública. Possui a autoridade do cargo, mas demonstra dificuldades em exercer plenamente o poder político. Isso porque, para chegar ao governo, precisou fazer alianças e concessões que, para quem acompanha sua trajetória mais de perto, acabaram comprometendo sua autonomia.
Clécio não lidera; é liderado. Nem sequer permanece no partido que historicamente representava suas convicções. Identificado durante anos com a esquerda e aliado próximo de Randolfe Rodrigues, migrou para o União Brasil, partido ligado ao grupo político de Davi Alcolumbre, apostando que essa aliança garantiria sua reeleição. A influência que já existia sobre seu governo tornou-se, então, oficializada.
Enquanto corre para inaugurar algumas das muitas obras anunciadas, sua gestão passa a imagem de ser marcada por cones, placas e tapumes. Há promessas não cumpridas e pouco tempo para convencer a população por meio de entregas concretas. Trata-se de uma estratégia que os eleitores já conhecem e que, ao que tudo indica, não produz mais os mesmos resultados.
O contraste entre propaganda e realidade também chama atenção. Ao mesmo tempo em que divulga a aquisição de um novo helicóptero para transporte de pacientes graves até a capital, persistem reclamações sobre a falta de medicamentos essenciais em unidades de saúde. A população vê faltar remédios para pacientes em estado grave no Hospital de Emergência e medicamentos importantes para crianças atendidas no Pronto Atendimento Infantil.
A sensação predominante é de falta de prioridades e incapacidade de enfrentar problemas históricos. Essa percepção se reflete nas pesquisas eleitorais, que apontam altos índices de rejeição ao governador. Nem a força da máquina pública, nem o apoio da maioria dos prefeitos dos 16 municípios, nem a influência de aliados em Brasília parecem suficientes para reverter esse cenário.
Aquilo que o ajudou a chegar ao governo parece agora contribuir para seu desgaste. Ao abrir mão de parte de sua identidade política para alcançar o poder, restou-lhe a difícil tarefa de permanecer nele sem a mesma conexão com a população.
Enquanto isso, o prefeito Dr. Furlan ocupa uma posição completamente diferente. Carrega aquilo que nenhum recurso financeiro é capaz de comprar: a confiança popular. Após mais de cinco anos de gestão na capital, seus apoiadores enxergam nele um exemplo de que é possível utilizar a política para melhorar concretamente a vida das pessoas.
A população parece cansada de promessas não cumpridas, de resultados que surgem apenas em anos eleitorais e de ser esquecida durante o restante dos mandatos. O que muitos buscam agora é um gestor que trabalhe desde o primeiro dia, focado em resultados, tratando a eleição apenas como consequência natural de um trabalho sério e comprometido com o interesse público.
O clamor pela candidatura de Dr. Furlan ao Governo do Estado não parte apenas de seu grupo político. É um movimento que ultrapassa fronteiras partidárias e ideológicas e alcança diversos setores da sociedade. Há relatos de servidores, contratados e pessoas que participam de eventos governamentais por obrigação profissional, mas que, diante da urna, afirmam apoiar o atual prefeito de Macapá.
Além dos resultados considerados insuficientes por grande parte da população, o perfil considerado persecutório do atual governo reforça, até mesmo entre alguns aliados, a percepção de que o Amapá precisa de uma nova forma de gestão.
Clécio parece buscar algo que já não consegue conquistar, mesmo dispondo de recursos e da autoridade do cargo. Dr. Furlan, por outro lado, possui justamente aquilo que falta ao governador: o reconhecimento espontâneo da população.
Sua posição confortável no cenário eleitoral é resultado daquilo que construiu ao longo de cinco anos e dois meses de gestão. Suas promessas não são vistas por seus apoiadores como meras palavras. Elas encontram respaldo em realizações concretas e na confiança construída ao longo do tempo.
É evidente que ele não possui a mesma estrutura financeira, nem as articulações dos grandes grupos políticos instalados em Brasília. No entanto, conseguiu algo talvez mais importante: mudar a percepção da população sobre a política. Demonstrou, na prática, que vale a pena eleger quem trabalha pelo cidadão de domingo a domingo.
Por isso, enquanto muitos ainda fazem cálculos políticos e financeiros, Dr. Furlan concentra esforços em conhecer os problemas dos demais municípios, ouvir a população e construir um plano de governo. Atua dentro das regras estabelecidas pelo calendário eleitoral, preparando propostas e soluções para os desafios do Estado.
A multidão que o acompanha não está em auditórios ou eventos organizados. Ela se manifesta nas ruas, nos bairros, nos empreendimentos, nas redes sociais e nos gestos espontâneos de apoio que recebe diariamente.
Seus apoiadores acreditam que, caso receba a confiança da maioria dos eleitores, terá condições de liderar uma transformação sem precedentes no Estado. Sabem que isso exigirá trabalho, sacrifício e dedicação. Não será simples nem fácil, mas acreditam que será possível.
No cenário para o Senado, a Dra. Rayssa Furlan aparece liderando pesquisas, seguida pelo senador Lucas Barreto. Esse movimento pode representar uma das maiores mudanças da história política do Estado, com a possibilidade de um mesmo grupo perder simultaneamente o Governo e duas vagas no Senado.
Diante das críticas, perseguições e ataques que seus apoiadores afirmam existir contra Dr. Furlan, cresce também o sentimento de solidariedade popular em torno de sua candidatura. Isso o transforma, desde já, em um dos principais cabos eleitorais da disputa de 2026.
A população também demonstra compreender que um governador precisa de uma base política para governar. Por isso, muitos observam atentamente quais candidatos ao Legislativo estão alinhados ao projeto defendido por Dr. Furlan.
Ao seu lado estão pré-candidatos experientes e também novos nomes da política, mas todos identificados com uma mesma visão de gestão. Uma visão que prioriza resultados concretos, eficiência administrativa e compromisso com a população.
O eleitor parece cada vez mais cansado de disputas de poder que terminam cobrando um alto preço da sociedade. O desejo predominante é por estabilidade, trabalho e desenvolvimento.
Com um perfil conciliador e agregador, Dr. Furlan já demonstrou, segundo seus apoiadores, que é capaz de colocar os interesses públicos acima das disputas partidárias. Afinal, a política só faz sentido quando está a serviço das pessoas.
Há rumores de que diversos deputados estaduais já mantêm diálogo com o grupo político liderado por ele. Isso pode ser explicado por dois fatores: primeiro, porque esses parlamentares estão ouvindo seus eleitores e percebendo o crescimento do apoio popular ao prefeito; segundo, porque entendem que uma eventual vitória de Furlan exigirá uma base sólida para governar.
Independentemente das movimentações de bastidores, uma coisa parece evidente: a política amapaense atravessa um momento de transição. Um modelo tradicional demonstra sinais de desgaste, enquanto uma nova alternativa ganha força junto à população.
A expectativa daqueles que desejam um Amapá mais desenvolvido é que essa mudança represente não apenas uma troca de nomes, mas uma mudança de mentalidade, de prioridades e de resultados.
O sonho é que o Estado mais rico em potencial natural do Brasil consiga, finalmente, transformar essa riqueza em prosperidade, oportunidades e liberdade para seu povo.
Adriana Garcia
Jornalista na Amazônia
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