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Neste domingo, 4 de outubro, em pleno dia das eleições gerais no Brasil, mais uma fuga de menores foi registrada no Centro de Internação Provisória (CIP), da Fundação Socioedicativa do Amapá (FSA), localizado no bairro Novo Buritizal, zona Sul de Macapá.

 

Funcionários denunciam terror, omissão e colapso do setor sob gestão da FSA.  Imagem: Divulgação/Internet.

Neste domingo, 4 de outubro, em pleno dia das eleições gerais no Brasil, mais uma fuga de menores foi registrada no Centro de Internação Provisória (CIP), da Fundação Socioedicativa do Amapá (FSA), localizado no bairro Novo Buritizal, zona Sul de Macapá.

Durante a ocorrência, os menores em fuga espancaram os servidores que estavam de plantão no prédio.

Agentes socioeducativos vivenciam momentos de pânico em simulação de suicídio que resultou na fuga de nove internos. Um servidor de codinome "Nhola", com mais de sete anos de carreira na Fundação, quebra o silêncio e expõe o abandono institucional e o risco de morte ao qual estão submetidos os servidores do Centro.

O QUE ACONTECEU

O Sistema Socioeducativo do Amapá atingiu o seu ponto mais dramático e violento no último domingo (4). O CIP, vinculado à FSA, foi palco de cenas de terror, agressão física extrema e covardia.

Segundo Nhola, Nove adolescentes em conflito com a lei simularam um ato de suicídio dentro de uma das alas para atrair a equipe de plantão. Ao adentrarem o local, no estrito cumprimento do dever humano e funcional de salvar vidas, os três servidores que atenderam à ocorrência foram recebidos com extrema violência, espancados e trancados, enquanto os infratores empreendiam fuga em massa.

A equipe de plantão, reduzida e sem equipamentos mínimos de segurança, viveu minutos de puro pânico e desespero.

Em um depoimento forte e estarrescedor, o servidor, que atua há mais de sete anos na FSA, desde que a instituição ainda se chamava FCRIA, quebrou o protocolo de silêncio para denunciar a degradação humana dentro do CIP:

"Eu tenho mais de sete anos de profissão e nunca vi o sistema tão entregue ao caos e à irresponsabilidade. Nossos colegas foram espancados com violência crua e de forma covarde, enquanto tentavam socorrer o que imaginavam ser um jovem em desespero de morte. O sentimento de quem está na ponta é de absoluto pânico e abandono. Nós saímos de casa para trabalhar e não sabemos se voltaremos vivos para abraçar nossas famílias", desabafa Nhola.

TENTATIVA DE ABAFAR O CASO E SILÊNCIO DA DIREÇÃO

O pesadelo vivido pelos plantonistas, no dia 4, ganhou contornos ainda mais revoltantes no dia seguinte (5). Ainda segundo Nhola, a alta cúpula da FSA, comandada pelo Diretor-Presidente da Alysson de Souza, em conlunio com o gerente do CIP (Sr. Evaristo de Oliveira) tentaram abafar a gravidade da tragédia.

A categoria só tomou conhecimento das agressões e da fuga em massa 24 horas depois, através de desabafos e mobilizações internas dos próprios servidores.

"A gestão da FCRIA atuou para esconder o fato. Enquanto os servidores sofriam agressões e entravam em choque psicológico, a presidência e a gerência se preocupavam em abafar a repercussão na imprensa. Não houve um pedido de socorro imediato; não houve amparo médico ou psicológico de urgência nas primeiras horas. Deixaram os colegas jogados à própria sorte. Isso não é apenas ineficiência. É crueldade institucional", dispara o denunciante.

AMADORISMO e INCOMPETÊNCIA

A denúncia de Nhola aponta diretamente para a absoluta falta de qualificação técnica das lideranças nomeadas para gerir a FSA. A escolha do atual gerente da unidade de maior risco do estado, o CIP, é apontada como uma tragédia anunciada, uma vez que Evaristo de Oliveira é inapto para lidar com a doutrina socioeducativa, mas a atual gestão o mantém na função por indicação política.

"Colocaram para gerenciar o CIP um pastor sem qualquer experiência em segurança socioeducativa ou gestão de crise. O resultado dessa irresponsabilidade é o sangue dos nossos colegas derramado no chão da unidade. Exigimos respeito aos servidores agredidos e ainda o afastamento imediato do gerente, bem como, a responsabilização direta do presidente. Chega de amadorismo com a vida do servidor público!", cobra o denunciante Nhola

Diante do cenário de colapso, Nhola e a categoria socioeducativa clamam pela intervenção urgente do Ministério Público do Amapá (MP-AP), da Assembleia Legislativa (Alap) e das autoridades policiais para apurar as responsabilidades civis, administrativas e criminais do comando da Fundação.

Fonte: Da Redação.

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