
Decisão na canetada gera instabilidade administrativa e prefeito interino só critica a gestão ao invés de administrar.
Na manhã de quarta-feira, 04 de março, a capital do Amapá amanheceu sem prefeito e sem vice-prefeito, por uma decisão monocrática do ministro Flávio Dino. Definitivamente, a Suprema Corte virou um balcão de negócios, uma corte política que coloca debaixo do tapete investigações e processos que envolvem amigos e transforma em um grande escândalo — e motivo de afastamento — uma investigação ainda em curso, sem conclusão.
E quem pode tudo? O presidente do Congresso Nacional, que a cada dia prova que o Amapá virou seu brinquedo. Ele é o dono da bola e, para quem não sair do meio e não deixar a trave sem goleiro para ele chutar e fazer o gol, resta o risco de ser investigado, perseguido e prejudicado.
Na “democracia” do Amapá, o clima que se espalha é:
“Davi não vai deixar Furlan ganhar”,
“Davi vai dar um jeito de tornar Furlan inelegível”,
“Vão prender o Furlan”.
A canetada de Dino, infelizmente, reforça esse medo que toma conta de parte da opinião pública.
É triste perceber que decisões judiciais encomendadas e armadas podem desestabilizar um município que vinha sendo administrado com zelo sob a liderança do Dr. Furlan. Não é à toa que ele aparece em primeiro lugar nas pesquisas para o governo do Estado. É resultado de muito trabalho.
Os sinais de que tudo estava armado não param de aparecer. O presidente da Câmara de Vereadores, Pedro Da Lua, já estava com o despacho em mãos e com o documento necessário para entrar no prédio da prefeitura — e o fez ainda pela manhã. Uma cena que mais parecia um filme de terror. Muitos macapaenses até agora não acreditam que o que está acontecendo é real. Mas é.
O tempo em que as instituições existiam para melhorar a vida do povo parece cada vez mais distante. Hoje, elas parecem existir para atender aos interesses de poderosos que agem como se fossem donos dos estados, donos das pessoas, donos dos votos. Como aquele marido abusivo que prefere ver tudo destruído a aceitar que alguém que ele não controla esteja no comando.
Desde então, o que a população presencia são obras paradas — algo que parece combinar com a gestão estadual —, um troca-troca de secretários, confusão e caos. Dalua resolveu sair por aí escolhendo a dedo onde visitar. Parece mais um vereador. Ops, ele é vereador. E, como tal, a impressão que fica é que nunca foi a campo fiscalizar, já que agora sua narrativa é de surpresa diante da realidade da cidade. Uma incoerência que chega a ser irritante para quem observa.
Aliado de Alcolumbre, uma figura caricata e, não à toa, conhecido como Dalua, ele pode, em poucos dias, destruir um legado de administração responsável, com planejamento e muitas entregas. Este tem sido o medo de grande parte da população.
Diante do afastamento intempestivo vindo de Brasília, o Dr. Furlan decidiu renunciar ao cargo e dedicar-se à sua pré-campanha, já que foi impedido de entregar dezenas de obras previstas para serem inauguradas ao longo do mês de março, antes de realizar sua renúncia planejada para o final do mês.
A maior parte da imprensa, que está a serviço do grupo conhecido e reconhecido como o grupo do atraso — liderado por Davi, mas que também tem na gestão estadual Clécio Luís um de seus pilares —, usou de má-fé ao afirmar que a renúncia teria sido feita para evitar uma prisão.
A verdade é outra: para ser pré-candidato, ele não poderia apenas tirar uma licença temporária. A lei eleitoral exige a renúncia. O que aconteceu foi apenas uma antecipação do que já estava planejado, devido às circunstâncias impostas.
Vários secretários da gestão Furlan usaram as redes sociais para anunciar seus pedidos de exoneração diante de uma situação completamente esdrúxula e constrangedora à qual a cidade inteira está sendo submetida.
Uma gestão que estava entre as três melhores do Brasil foi simplesmente tomada de assalto, sob um aparente manto de legalidade.
E por quê? Porque o grupo age assim.
Para completar, a narrativa pronta — repetida tanto pelo prefeito interino Dalua, que parece se lambuzar com um poder que não conquistou, quanto pelo governador Clécio e até por agentes de pesquisas eleitorais treinados — insiste em reforçar que a Polícia Federal esteve cinco vezes na casa do Dr. Furlan e que ele é investigado por desvio de dinheiro de um hospital municipal.
A repetição desse mantra tem como objetivo diminuir a adesão popular. Mas o efeito parece ser o contrário: a adesão só cresce, porque a armação está cada vez mais escancarada.
Além disso, lamentavelmente, o Dr. Furlan trouxe a público algo gravíssimo: ele estaria sendo monitorado por agentes do GSI. Ou seja, Clécio estaria usando a máquina pública para espionar seu opositor.
Diante desse relato, que deixou a população ainda mais preocupada com a integridade física do agora pré-candidato ao governo do Amapá, Dr. Furlan, surge a pergunta inevitável: que tipo de “democracia” é essa que usa esses meios?
Trata-se de uma espécie de ditadura com sabor de democracia, conduzida por políticos que sabem que não ganham no voto e tentam outros artifícios nada republicanos.
O governador Clécio veio a público induzir a opinião pública a acreditar que o Dr. Furlan seria contra a Polícia Militar, já que o espião que o seguia e filmava era um cabo da PM. Clécio também acusou o Dr. Furlan de se vitimizar ao dizer-se perseguido.
Além disso, apresentou uma justificativa que foi rapidamente desmentida em um segundo vídeo divulgado pelo próprio Dr. Furlan. Não havia motivo algum para aquele policial estar ali, à paisana, sozinho, e ao ser abordado ter se identificado com um nome falso.
Dr. Furlan também trouxe à tona provas de que o GSI estaria sendo utilizado para monitorar sua esposa — fato que teria ocorrido durante a Expofeira de 2025.
O que causa ainda mais estranheza é que o vice-prefeito, Mário Neto, não está arrolado nesta operação e não haveria motivos para seu afastamento. O que configura, na percepção de muitos, uma decisão política para tomada de poder, desrespeitando os 85% do eleitorado que votaram na chapa Dr. Furlan e Mário Neto.
A população clama pela anulação dessa decisão desproporcional, que veio da corte política e arbitrária em que muitos acreditam ter se transformado o STF.
A lei precisa ser respeitada. A justiça precisa ser restabelecida.
Os prejuízos já começam a aparecer para a população e a impressão que fica é que a prefeitura virou um faz de contas, um brinquedo político, uma oportunidade para atacar a gestão de Dr. Furlan — e não um espaço de condução responsável que coloque os interesses da população em primeiro lugar.
Moradores lembram inclusive de um caso do passado: quando o então prefeito Roberto Góes foi preso na Operação Mãos Limpas, em 2010, quem assumiu foi sua vice, Helena Guerra, e não o presidente da Câmara de Vereadores. Neste caso, há uma investigação em curso, sem conclusão. É algo bem menos complexo do que a prisão, e mesmo assim, o vice-prefeito foi afastado, numa clara intenção de tomar a prefeitura na mão grande.
A revolta popular está justamente aí: a população não elegeu Dalua, e a forma como a chapa foi afastada fere a vontade popular.
Além disso, a investigação ainda está em curso, o que levanta questionamentos sobre a necessidade de um afastamento tão drástico.
Enquanto isso, há diversas investigações e operações envolvendo o governo estadual. A mais recente envolve o Banco Master e a Amprev, onde cerca de 400 milhões de reais de aposentados e pensionistas teriam desaparecido.
Nem assim houve afastamento de autoridades. O governador não afastou Jocildo Lemos, e nenhum ministro do STF afastou o governador e o vice por conta desse escândalo que também faz parte de uma operação da Polícia Federal.
Macapá merece respeito. O povo merece respeito.
Uma corte política, por meio de uma decisão monocrática, não pode destruir o que foi construído com muito trabalho ao longo dos últimos cinco anos.
Quem realmente acredita na democracia deveria ir para as urnas e se submeter ao julgamento da opinião pública — não recorrer a manobras de bastidores.
Transformar a política em um grande negócio e estar disposto a tudo para não largar o osso pode ser muitas coisas. Democracia, certamente, não é.
Que esse limbo termine logo e que a população volte a se alegrar com quem ela escolheu para governar.
Adriana Garcia
Jornalista na Amazônia
