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 flavio vazamento

Enquanto criam narrativas contra Flávio, os verdadeiros escândalos seguem intocados

Esta semana, o Brasil quase parou por causa do vazamento seletivo do site Intercept sobre a conversa entre o pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, e o agora preso banqueiro Daniel Vorcaro, a respeito de parcelas atrasadas do financiamento do filme Dark Horse, produzido nos Estados Unidos e com lançamento previsto para setembro, sem qualquer interferência da Justiça brasileira.

Tentaram criminalizar um financiamento privado iniciado quando Vorcaro ainda era tratado como um grande e respeitado banqueiro. E esse financiamento é apenas uma gota no oceano diante de tantos outros feitos por ele, direcionados aos mais diversos órgãos de imprensa, ministros do STF, integrantes da cúpula do PT  e figuras do Centrão, como o senador Ciro Nogueira, que, segundo relatos, recebia até mesada. E a lista é enorme.

Agora, vão tentar criminalizar o próprio filme. Daqui a pouco, não duvidem: a Lei Rouanet estará patrocinando o filme “Bolsomaster” para reforçar a narrativa que a campanha de Lula já escolheu — jogar no colo de Bolsonaro o maior escândalo financeiro da história. É a velha máxima: “acuse-os do que você faz e chame-os do que você é”.

Só para citar um dos episódios mais emblemáticos — talvez o mais luxuoso, pelo nível das autoridades presentes — Daniel Vorcaro patrocinou um evento de degustação de uísque Macallan em Londres, no dia 25 de abril de 2024, com a presença de representantes dos Três Poderes. Entre eles: Alexandre de Moraes, ministro do STF; Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF; Benedito Gonçalves, ministro do STJ; Dias Toffoli, ministro do STF; Hugo Motta, presidente da Câmara; Paulo Gonet, procurador-geral da República; Ricardo Lewandowski, então ministro da Justiça; além do próprio Vorcaro e de seu advogado, Ciro Soares.

Será que Flávio Bolsonaro deveria desconfiar de um patrocínio vindo de alguém tão bem relacionado e com trânsito livre entre as maiores autoridades do país?

Em 2024, quando começou a parceria empresarial envolvendo o filme, ainda não se conhecia a dimensão da gravidade das ações de Vorcaro, nem seu nível de proximidade com tantas figuras influentes. Tudo começou a vir à tona apenas após sua prisão, em novembro de 2025. Transformar esse episódio em um escândalo de corrupção é uma canalhice sem precedentes.

Segundo o site Poder360, o evento milionário de degustação aconteceu no George Club, em Mayfair, uma das regiões mais caras de Londres. A ocasião fez parte do 1º Fórum Jurídico — Brasil de Ideias, patrocinado pelo Banco Master. Documentos enviados pela PF à CPMI do INSS apontam que a degustação custou cerca de R$ 3,2 milhões no câmbio da época.

Pelo visto, Vorcaro foi esperto: aproximou de si a cúpula do Judiciário, contratou esposa de ministro por R$ 129 milhões e construiu proteção política e institucional. Sua relação com Flávio foi pontual. Flávio não estava em degustações milionárias, nem em reuniões privadas até meia-noite em mansões luxuosas. Ele estava tentando honrar um compromisso assumido para a produção de um filme sobre seu pai.

Mas insistir nisso não convence quem já escolheu acreditar na narrativa “Bolsomaster”. Não convence quem ignora os encontros fora da agenda entre Vorcaro e Lula. Não convence quem prefere fechar os olhos para quem realmente frequentava as rodas de poder do banqueiro.

A esquerda sofre de hipocrisia crônica. Lindbergh Farias já defendia a prisão de Flávio, enquanto ministros que degustavam Macallan com Vorcaro seguem decretando prisões de inocentes. Me poupem.

Mas a parte mais surpreendente foi assistir às máscaras caindo diante dos nossos olhos. O oportunismo cínico e barato do fraco e covarde Romeu Zema revelou muito mais do que qualquer vazamento. Uma postura que, na prática, o desqualifica até para vice-presidente. Há políticos que talvez fosse melhor jamais entrarem em um governo do que apunhalarem aliados estando dentro dele.

Zema talvez seja o exemplo mais emblemático desse oportunismo, mas está longe de ser o único. A ala “sabor direita” segue tentando derrubar a candidatura do único nome que vence Lula e ainda tenta convencer a população de que é Flávio Bolsonaro — e não eles — quem ajuda na reeleição do petista.

Esse grupo “didireita” não assume que aprecia o mesmo fisiologismo típico do Centrão. Não assume seus interesses particulares nem seus interesses financeiros. É um grupo aliado ao sistema bancário tanto quanto o PT. Trocar Lula por Zema, quando o assunto é agradar os amigos da Faria Lima, talvez seja apenas trocar seis por meia dúzia.

Aqueles que insistiam até o último momento em candidaturas como Zema ou Michelle pareciam mais animados com o falso escândalo do que a própria esquerda. Não sei quem estava mais ouriçado: a esquerda ou a direita permitida.

O espetáculo acabou. E o que permanece são as fartas provas nas mãos da PF — não daquela liderada por Andrei Rodrigues, que degustava uísque caro com Vorcaro, mas da equipe que segue investigando quem participou ativamente do esquema financeiro envolvendo o banqueiro e o Banco Master.

Um escândalo que se mistura com crime organizado, com o rombo dos aposentados e até com o prejuízo de futuros aposentados, como no caso dos aportes feitos por fundos de pensão e previdência, entre eles a AMPREV, no Amapá, que investiu R$ 400 milhões no Master.

Definitivamente, os falsos escândalos envolvendo Bolsonaro — e todos aqueles que ousam continuar apoiando ele e seus filhos — estão apenas começando. São cortinas de fumaça para esconder os verdadeiros escândalos.

Enquanto essa narrativa dominava jornais, sites e redes sociais, Lula trocava o delegado responsável pelo caso que investiga Lulinha, em uma clara interferência na Polícia Federal para proteger seu pupilo. A esquerda segue demonstrando ser capaz de fazer exatamente aquilo que falsamente atribui aos outros, especialmente a Bolsonaro.

Quem é Flávio Bolsonaro não deixará de ser depois desse pseudoescândalo. E aqueles que abandonaram o barco nesse momento já estavam com um pé fora há muito tempo. Precisavam apenas de uma desculpa para sair, mantendo os votos do eleitor conservador enquanto tentam posar de anticorrupção.

Sério? Quem acredita nisso?

Daqui a pouco, esse mesmo grupo estará fazendo campanha para Lula. E eu não vou me surpreender. Afinal, a “frente ampla” de 2022 foi exatamente isso: direita e esquerda unidas para destruir o bolsonarismo.

Mas esqueceram de uma coisa: somos sementes e estamos florescendo.

Bolsonarismo não está ligado apenas a uma pessoa ou sobrenome. É algo muito maior. É o despertar político de milhões de brasileiros para acompanhar política, entender bastidores, debater ideias e nunca mais aceitar ser enganados pelo velho teatro das tesouras.

É uma pena que, mesmo vencendo, Flávio provavelmente não consiga montar um governo composto apenas por direitistas bolsonaristas, da mesma forma que o PT faz com seus aliados ideológicos. Ainda há um caminho árduo a percorrer.

Mas ao menos agora muitos já não se deixam iludir pela “sabor direita”. Agora sabemos exatamente onde estamos pisando.

Bendito atraso nas parcelas de Vorcaro. Bendita cobrança feita por Flávio Bolsonaro. E, ainda que o Intercept esteja a serviço do inimigo, bendito vazamento que revelou o quanto Deus é capaz de transformar o mal em bem na vida daqueles que confiam n’Ele.

Benditas sejam as oportunidades de ver máscaras caindo, para que um eventual governo Flávio Bolsonaro possa chegar ao poder com o mínimo possível de traidores.

Adriana Garcia

Jornalista na Amazônia

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