
Davi Alcolumbre é presidente do Congresso Nacional que o Brasil não suporta mais.
Esta quarta-feira não foi das melhores para o “todo-poderoso” Davi Alcolumbre. A reunião e o anúncio da candidatura de Rogério Marinho, demonstrando ampla vantagem e apontando para Alcolumbre um horizonte distante da cadeira máxima do Parlamento brasileiro, fizeram-no surtar e acabaram sendo motivo de chacota.
Alcolumbre não sabe perder, e esse é um comportamento típico de quem tende ao autoritarismo. Ele ficou visivelmente furioso com os eleitores que tiraram seus aliados do poder no Amapá e renovaram a Câmara e o Senado com o objetivo de, entre outras motivações, arrancá-lo da cadeira em que insiste em permanecer, negando a rejeição de um país inteiro à sua pessoa e, principalmente, à sua postura.
Ele criticou os candidatos recém-eleitos, dizendo que eles não apresentaram propostas, como a construção de novos institutos federais e a criação de oportunidades para os jovens. Entretanto, quando Bolsonaro era presidente e quis aprovar um programa de incentivo à contratação de jovens sem experiência, Alcolumbre foi contra. Também reclamou da falta de propostas para a economia, justamente quando ele foi um dos principais aliados do governo Lula, responsável pela quebradeira econômica que estamos vivendo.
Seu ódio descarado tinha endereço certo: as críticas que os candidatos vencedores fizeram, durante toda a campanha, aos atuais ocupantes das principais cadeiras do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. Essa percepção de Alcolumbre só demonstra seu completo descolamento da realidade e sua indiferença ao maior clamor da sociedade brasileira nos últimos anos: a independência entre os Poderes e o restabelecimento da lei e da justiça, com a contenção dos ministros políticos da Suprema Corte por meio do impeachment, que deve ser conduzido pelo Senado e que ele deliberadamente não pautou. Inclusive, declarou que nem mesmo se houvesse 81 assinaturas colocaria o assunto em pauta, jogando no lixo qualquer respeito aos seus pares e ao próprio Parlamento.
Durante essa permanência no cargo, que ele parece desejar que seja vitalícia, Alcolumbre já chegou a fechar, literalmente, o Senado, conforme denunciou o senador Carlos Viana, que queria entrar e foi impedido. Por qual motivo Alcolumbre acredita que justamente ele deveria ser o preferido nesta altura do campeonato, quando é justamente apontado como responsável pela escalada autoritária do STF?
Ele também reclamou que as críticas dos candidatos nesta eleição aos líderes dos três Poderes não poupam suas famílias. Mas, se tem tanta preocupação com a própria família, não deveria ter participado de festas e orgias promovidas por Vorcaro, com suíças sendo mencionadas nas mensagens de WhatsApp atribuídas às conversas divulgadas. Alcolumbre se apequenou de tal maneira que se tornou motivo de vergonha até para seu próprio estado.
O poder que teve não transformou a realidade de seu povo. Pelo contrário, seu mandato passou a carregar o peso de um projeto de poder pessoal, marcado pela perseguição a adversários e pela tentativa de persuadir aliados. Uma prática nada republicana, que trouxe prejuízos incalculáveis aos amapaenses, que, em sua maioria, não veem a hora de Alcolumbre deixar a Presidência do Senado para que possam voltar a respirar em uma normalidade democrática, sem serem surpreendidos por decisões absurdas que vão desde o pedido de fechamento de uma rádio até o afastamento de uma chapa eleita por mais de 85% dos votos. Para o povo do Amapá, que sofre com as consequências do que vem de Brasília, a saída de Alcolumbre será um grande livramento.
Mas Davi foi ainda mais longe em seu desabafo. Demonstrou claramente que não suporta a opinião do povo nas redes sociais. E, se, por um pesadelo, conseguir se manter no poder, acreditem: fará de tudo para censurar de vez as redes. Afinal, a liberdade e o acesso do eleitor aos seus representantes o incomodam.
Alcolumbre não tem condições morais de permanecer no cargo. Se o Brasil fosse um país sério, nem senador ele seria mais. Ele prevaricou repetidas vezes. Sua omissão é responsável por centenas de pessoas estarem há quase quatro anos presas injustamente. Não pautou a anistia e pautou uma vergonhosa dosimetria que Moraes colocou debaixo do braço e esvaziou seus efeitos, na maior cara de pau.
Existe sangue inocente nas mãos de Alcolumbre, e esse sangue, uma hora, chegará ao trono de Deus. Até agora, são 13 vítimas fatais, além daqueles que adoeceram e desenvolveram transtornos mentais, daqueles que estão emocionalmente destruídos e daqueles que tiveram de deixar sua pátria para continuarem livres.
Portanto, Alcolumbre é, por mais de uma vez, responsável por toda a desgraça que o povo brasileiro vem sofrendo e ainda quer continuar no cargo com uma arrogância tão grande que só pode estar passando por um profundo processo de negação. O “Fora, Alcolumbre!” das ruas nunca cessará até que esse dia chegue. E, sim, felizmente, renovamos o Senado justamente para que se cumpra essa primeira missão: retirá-lo do lugar que nunca deveria ter ocupado e que ocupou não para servir ao Brasil, mas para servir a si mesmo e ao seu plano de poder absoluto.
Alcolumbre é, no Parlamento, o que Moraes representa no Judiciário. Ambos formam uma dupla que, na minha avaliação, comunga de práticas que configuram graves violações de direitos humanos, reconhecidas e denunciadas por diferentes setores no mundo inteiro. E ele ainda se mostra espantado com tanta rejeição à sua pessoa.
Por fim, Alcolumbre falou sobre as urnas eletrônicas, que operam no Brasil há 30 anos. Lamentavelmente, sem a contagem pública dos votos, como constitucionalmente nos é garantido. Lamentavelmente, com dúvidas que pairam sobre todo pleito, porque ministros que Alcolumbre sustenta na Corte impediram o voto impresso auditável, que o próprio Parlamento já aprovou.
Alcolumbre, você disse algo que reforça a necessidade de questionarmos os resultados anunciados pela Justiça Eleitoral, não necessariamente as urnas. Você zombou dos parlamentares que criticaram as urnas no segundo turno, mas que se valeram delas para comemorar suas próprias vitórias no primeiro turno.
Pois é! Essa vitória do PL e da direita, que tanto lhe assustou, não se traduziu em uma vitória para Flávio. Uma matemática politicamente difícil de explicar. Por que tantos aliados de Flávio foram eleitos no primeiro turno, enquanto ele não? Por que uma paralisação de uma hora na apuração justamente quando Flávio já ultrapassava os 50% dos votos? Por que o atropelo de uma canetada de Zanin e duas horas de paralisação na apuração do segundo turno? É justamente pela falta dessas respostas e pela impunidade desses ministros que você está prestes a ser expurgado dessa cadeira que tanto lhe encantou e o fez acreditar que estava acima da lei.
Quando você disse que acreditava na virada de Lula, talvez tenha sido porque acredita nos métodos que tolera e quer que o país inteiro também tolere. Mas não há nada encoberto que não venha a ser revelado, e a luz trará à tona tudo o que está nas trevas.
Desejo a você o mesmo que aconteceu com Nabucodonosor: que um dia, ao não ser mais nada neste mundo, reconheça o Deus de Israel e se arrependa de todo o mal que causou ao Brasil.
Adriana Garcia
Jornalista na Amazônia
