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 perdidos no tempo

O MP/AP investiga a possível fraude. Se confirmada, é mais tentativa de impedir do Dr. Furlan de concorrer ao governo.

No início da tarde da última quarta-feira, 6 de maio, o Ministério Público do Estado do Amapá (MP/AP), por meio da 1ª PRODEMAP, com apoio logístico do GAECO e do NIMP, deflagrou a operação “Perdidos no Tempo”. A ação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão expedidos no âmbito de uma investigação ministerial que tramita sob segredo de Justiça.

Segundo informações divulgadas oficialmente pelo MP/AP, as medidas não tinham como alvo as instituições públicas visitadas durante a operação, mas sim servidores específicos, suspeitos de, supostamente, terem utilizado suas funções públicas para a prática de possíveis ilícitos.

O Ministério Público informou ainda que houve cooperação tanto da Prefeitura de Macapá quanto da Câmara Municipal no cumprimento das ordens judiciais. As diligências ocorreram dentro do horário previsto pela legislação processual penal vigente.

Ainda conforme nota do MP/AP, a operação precisou ser antecipada após a divulgação, na noite anterior, de informações sensíveis relacionadas ao caso. O órgão também informou que apura internamente possíveis responsáveis pelo vazamento de dados sigilosos, reforçando o compromisso com a preservação do patrimônio público e a garantia da probidade administrativa.

Entenda o caso

As suspeitas investigadas estariam relacionadas a uma possível tentativa de tornar o ex-prefeito de Macapá, Dr. Furlan, inelegível por meio de suposta manipulação na data de protocolo de documentos ligados a pedidos de cassação.

O caso ocorre em meio ao cenário político estadual, onde Dr. Furlan aparece como o principal nome para a disputa ao Governo do Amapá em 2026, liderando todas as pesquisas, com uma média de 65 a 70% de intenção de voto, derrotando no primeiro turno, o governador Clécio Luis (UB) aliado do Davi Alcolumbre. 

No dia 4 de março deste ano, uma decisão monocrática do ministro do STF, Flávio Dino, afastou o então prefeito Dr. Furlan e o vice-prefeito Mário Neto, levando o então presidente da Câmara Municipal, Pedro Dalua (UB), aliado do Clécio e do Davi, a assumir temporariamente o comando da Prefeitura de Macapá.

Já no dia seguinte, 5 de março, às 8h15, foi protocolado fisicamente o pedido de renúncia de Dr. Furlan ao cargo de prefeito. O documento também foi registrado eletronicamente às 9h do mesmo dia. A partir daquela data, o ex-prefeito passou a se declarar pré-candidato ao Governo do Amapá.

Segundo a defesa de Dr. Furlan, naquele momento não havia qualquer registro público de pedido de cassação contra ele, o que afastaria a tese de que a renúncia teria ocorrido para evitar eventual inelegibilidade.

Entretanto, dias depois, começaram a surgir mensagens enviadas ao ex-prefeito alertando sobre uma possível articulação dentro da Câmara de Vereadores para tentar torná-lo inelegível.

A situação ganhou novos contornos no dia 12 de março, após a publicação de uma matéria no portal local Seles Nafes. Segundo a advogada Amanda Figueiredo, responsável pela defesa de Dr. Furlan, o texto afirmava que o ex-prefeito teria renunciado para escapar de um processo de cassação que poderia torná-lo inelegível.

A defesa então iniciou um levantamento das datas e movimentações processuais ligadas ao caso. Segundo a advogada, dois pedidos de cassação — um contra Dr. Furlan e outro contra o vice-prefeito Mário Neto — foram inseridos no sistema apenas no dia 11 de março, portanto após o protocolo da renúncia realizado oficialmente em 5 de março.

No dia 12 de março, a Câmara votou pela abertura do processo de cassação contra Mário Neto, enquanto o pedido envolvendo Dr. Furlan foi arquivado sob a justificativa de perda de objeto, já que ele havia renunciado dias antes.

O ponto central da suspeita está na informação de que o pedido físico de cassação contra Dr. Furlan teria sido protocolado em 4 de março — um dia antes de sua renúncia —, embora o lançamento no sistema eletrônico só tenha ocorrido em 11 de março.

Para a defesa, isso levanta dúvidas sobre uma possível tentativa de utilizar a data física do documento para sustentar futuramente um argumento de inelegibilidade.

“Se o pedido físico realmente existia desde o dia 4, por que ele não foi inserido no sistema imediatamente, como ocorreu com a renúncia protocolada no dia 5?”, questiona a defesa.

Diante das suspeitas, os advogados de Dr. Furlan formalizaram denúncia ao MP/AP pedindo investigação sobre possível adulteração de data de protocolo.

Segundo informações apuradas, o procedimento permaneceu sob sigilo e os elementos apresentados pela defesa passaram por perícia preliminar, o que teria motivado o aprofundamento das investigações.

Parte do conteúdo da defesa acabou sendo divulgada no dia 5 de maio pelo portal Seles Nafes, fato que, segundo o MP/AP, contribuiu para a antecipação da operação realizada no dia seguinte, visando preservar provas e impedir eventual comprometimento das investigações.

Após a operação, o Portal Amapá, alinhado politicamente ao governador Clécio Luís, passou a questionar a atuação da promotora Andrea Guedes, responsável pelo caso. O blogueiro Heverson Castro levantou suspeitas sobre eventual conflito de interesse, alegando que familiares da promotora teriam mantido vínculos profissionais com a Prefeitura de Macapá durante a gestão de Dr. Furlan.

Entretanto, segundo informações apuradas pela reportagem, tanto a contratação do filho quanto os contratos da empresa ligada à sua nora seriam anteriores à gestão de Dr. Furlan, remontando ainda ao período em que Clécio Luís era prefeito de Macapá.

O episódio ampliou ainda mais a tensão política em torno do caso, que já envolve acusações de perseguição política, disputas eleitorais antecipadas e tentativas de desgaste institucional.

Caso as suspeitas de fraude sejam confirmadas, o episódio poderá ter desdobramentos graves, tanto no âmbito político quanto judicial, por envolver possível manipulação documental com potencial impacto no processo eleitoral de 2026.

As investigações seguem em andamento e novas informações poderão surgir nos próximos dias.

Adriana Garcia

Jornalista na Amazônia

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