cnews 2506 banner 500x100px
cnews 2506 banner 500x100px

theodoro daniel

Na campanha, Clécio e Dalua acusavam o Dr. Furlan de favorecer facções criminosas e agora, seus aliados são investigados.

A Polícia Civil do Amapá deflagrou, na manhã desta quinta-feira (15), por volta das 6h, a Operação Cavalo de Tróia, que investiga um suposto esquema de favorecimento à facção criminosa Família Terror do Amapá (FTA), classificada pelas autoridades como uma organização criminosa ultraviolenta.

A ação foi realizada por meio da Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO), com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público do Amapá.

Ao todo, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em residências, gabinetes da Câmara Municipal de Macapá e dependências do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (IAPEN). A operação também resultou na aplicação de medidas cautelares contra agentes públicos investigados.

Investigação apura troca de favores entre políticos e integrantes de facção

De acordo com as informações divulgadas pelas autoridades, a operação é resultado de investigações anteriores que identificaram indícios de uma possível relação de troca de favores entre lideranças da FTA e integrantes do poder público.

A suspeita é de que mandatos parlamentares e funções administrativas tenham sido utilizados para facilitar a contratação de pessoas indicadas pela organização criminosa em postos de trabalho vinculados a empresas terceirizadas que prestam serviços à rede pública de saúde e a entidades conveniadas à administração pública.

Segundo a investigação, uma mulher apontada como liderança operacional externa da facção, cujo companheiro seria o principal líder da organização criminosa, atuaria na mobilização de moradores em favor de agentes políticos.

Em contrapartida, parlamentares e servidores públicos supostamente utilizariam suas posições institucionais para viabilizar a contratação de pessoas indicadas pelo grupo criminoso.

A apuração busca esclarecer se estruturas de gabinetes parlamentares foram utilizadas para administrar essas indicações e atender aos interesses da facção.

Suspeita de privilégios no sistema penitenciário

Além do suposto direcionamento de vagas de emprego, a investigação identificou indícios de que a relação entre os envolvidos teria proporcionado outros benefícios à organização criminosa.

Entre os pontos apurados está a existência de um possível canal informal de comunicação entre a liderança externa da facção e a direção da área de ressocialização do sistema penitenciário estadual.

Conforme as informações da investigação, esse contato teria possibilitado favorecimentos administrativos ao líder da organização criminosa, que está custodiado no IAPEN.

Entre os benefícios investigados estão a inclusão em vagas de trabalho no sistema prisional e a remição de pena, mecanismo previsto em lei que permite a redução do tempo de cumprimento da pena mediante o atendimento de requisitos legais, como trabalho ou estudo.

As autoridades buscam esclarecer se esses benefícios foram concedidos de maneira irregular e se houve utilização da estrutura administrativa do sistema penitenciário para atender aos interesses da facção.

Vereador, suplente e servidores são afastados

Como parte das medidas adotadas para impedir a continuidade das supostas irregularidades e preservar as investigações, foram determinados afastamentos cautelares de agentes públicos.

As medidas atingem quatro pessoas:

Um vereador de Macapá: afastado cautelarmente do mandato, com proibição de acessar a Câmara Municipal, seus sistemas informatizados, secretarias e outras repartições públicas. Matérias jornalísticas já divulgadas apontam que trata-se do vereador Daniel Theodoro (Rede), primeiro vice-presidente da chapa do Dalua, eleita no dia 13 de outubro, para o Biênio 2027/2028.

Um primeiro suplente de vereador: impedido cautelarmente de ser convocado, tomar posse ou exercer o mandato, além de estar proibido de acessar a sede do Legislativo municipal. Em matérias jornalísticas já publicadas, trata-se de Odilson Nunes (Republicanos), homem de confiança do Pedro Dalua, prefeito interino de Macapá e também é aliado do governador Clécio Luis.

O diretor do Departamento de Ressocialização e Cidadania do IAPEN: afastado da função pública, com suspensão das senhas de acesso aos sistemas carcerários e proibição de ingressar nas unidades prisionais do estado.

Uma servidora da Ouvidoria da Câmara Municipal: afastada do cargo sob suspeita de atuar no recebimento de currículos ligados à facção e no agendamento privilegiado de consultas médicas.

No caso da servidora, as medidas também incluem a proibição de acesso às dependências da Câmara e a suspensão de suas credenciais nos sistemas institucionais.

Investigados estão sujeitos a outras restrições

Além dos afastamentos, os investigados estão proibidos de manter contato entre si, com testemunhas ou com as lideranças criminosas presas.

As medidas cautelares estabelecem ainda o comparecimento bimestral em juízo e a proibição de se ausentar de Macapá por mais de sete dias sem autorização judicial prévia.

Segundo as informações divulgadas, a operação permanece sob sigilo, o que limita a divulgação de outros detalhes sobre as diligências e os elementos reunidos durante a investigação.

Por que a operação recebeu o nome de Cavalo de Tróia?

O nome da operação faz referência ao episódio da mitologia grega em que os gregos utilizaram um cavalo de madeira como estratégia para entrar na cidade de Troia, escondendo soldados em seu interior.

A escolha do nome remete à hipótese investigada pelas autoridades: a de que integrantes de uma organização criminosa teriam conseguido acesso a estruturas do poder público por meio de relações com agentes políticos e servidores.

A investigação procura esclarecer se essas relações foram utilizadas para favorecer interesses criminosos dentro da administração pública, tanto na Câmara Municipal de Macapá quanto no sistema penitenciário estadual.

A Operação Cavalo de Tróia coloca sob investigação a possível utilização de estruturas públicas para atender a interesses de uma organização criminosa. O avanço das apurações deverá esclarecer a participação individual dos investigados e a extensão das supostas irregularidades.

Importante: os fatos descritos correspondem às suspeitas apresentadas pelas autoridades responsáveis pela investigação. Os afastamentos cautelares e as diligências não representam, por si só, condenação dos envolvidos, que têm direito à presunção de inocência e à ampla defesa.

Adriana Garcia

Jornalista na Amazônia

prefeitura_macapa_2
prefeitura_macapa_3
prefeitura_macapa_3