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Com uma senadora e uma deputada federal, Podemos também mostra a força feminina na Política

As urnas do último dia 4 de outubro não apenas definiram os novos representantes do Amapá. Elas também produziram um novo desenho de forças políticas no Estado — e, nesse novo cenário, um partido merece atenção especial: o Podemos.

Sob a presidência da senadora eleita Dra. Rayssa Furlan, a legenda saiu das eleições muito maior do que entrou. E o resultado não pode ser analisado apenas pelo número de mandatos conquistados, mas principalmente pela capacidade de mobilização demonstrada por seus candidatos.

O grande símbolo dessa transformação está no Senado. Dra. Rayssa Furlan foi eleita com 264.799 votos, tornando-se a primeira mulher a representar o Amapá no Senado e, de acordo com os números apresentados, a senadora mais bem votada da história do Estado.

É uma votação que ultrapassa a dimensão pessoal da candidata e se transforma em um recado político das urnas.

Mas a força do Podemos não parou no Senado. Na Câmara Federal, o partido também garantiu uma cadeira com Dra. Erica Aymore, médica, ex-secretária de saúde da capital, que enfrentou sua primeira disputa eleitoral e conquistou 15.358 votos.

Duas mulheres. Duas vitórias. Senado e Câmara Federal. O resultado dá ao Podemos uma característica que merece ser observada: uma forte presença feminina no centro das decisões políticas do Amapá.

UMA LEGENDA QUE CRESCEU ALÉM DOS MANDATOS

Talvez um dos aspectos mais importantes desse resultado esteja justamente nos candidatos que não foram eleitos. Eles demonstraram que o Podemos conseguiu construir uma votação pulverizada, com diversos nomes competitivos.

Alexandre Azevedo, vereador e integrante da base política de Dr. Furlan na Câmara Municipal, conquistou 14.973 votos, ficando em segundo lugar entre os candidatos do Podemos e apenas 385 votos atrás de Dra. Erica Aymore.

Dr. Vinicius Reis, também estreante nas urnas, alcançou 14.255 votos e terminou como o terceiro candidato a deputado federal mais votado do partido. Uma diferença mínima para uma disputa tão acirrada.

Sandra Lacerda, por sua vez, alcançou 10.785 votos, também figurando entre os principais nomes da legenda. Em quinto lugar, Mayla Carvalho, também estreante alcançou 8.636 votos. No total, os candidatos do Podemos somaram 81.478 votos na disputa pela Câmara Federal.

Isso não é apenas estatística eleitoral.É musculatura política.

E A ALAP?

Na Assembleia Legislativa, o desempenho também reforça essa leitura.

Além da eleição de R. Nelson como quinto candidato mais votado somando 10.286 votos, o Podemos conquistou outra cadeira com João Mendonça, que obteve 8.736 votos.

Outros candidatos apresentaram votações que, embora não tenham resultado em mandato, ajudam a dimensionar o tamanho do grupo: Elenice, com 3.271 votos, e Carlos Murilo, com 3.023 votos. Ao todo, os candidatos do Podemos alcançaram 38.248 votos para a ALAP.

Somando Câmara Federal e Assembleia Legislativa, são 119.726 votos obtidos pelos candidatos do partido nas duas disputas proporcionais. É um número que não pode ser ignorado por quem pretende compreender a política amapaense daqui para frente.

FURLAN E RAYSSA: UMA DUPLA QUE GANHOU FORÇA NAS URNAS

Por trás desse crescimento partidário existe uma liderança política que também saiu fortalecida das urnas. Dr. Antônio Furlan consolidou-se como a principal liderança do grupo político, enquanto Dra. Rayssa Furlan ganhou protagonismo como líder partidária e agora como senadora eleita.

O que as urnas mostraram foi a capacidade de um grupo político de transferir força eleitoral para diferentes candidaturas e diferentes níveis de disputa. Não se trata apenas de eleger um nome. Trata-se de construir um grupo. E grupos políticos fortes não são medidos somente pelas vitórias mais evidentes, mas pela quantidade de candidatos que conseguem colocar em uma disputa competitiva. O Podemos demonstrou isso.

O RECADO DAS URNAS

A eleição de 4 de outubro deixa uma mensagem que os adversários do grupo não podem ignorar: o Podemos cresceu e passou a ocupar um espaço importante no tabuleiro político do Amapá.

A chegada de Dra. Rayssa ao Senado, a eleição de Dra. Erica para a Câmara Federal, a vitória de R. Nelson e João Mendonça para a ALAP e as votações expressivas dos demais candidatos mostram que existe uma base eleitoral consolidada. E há ainda outro elemento simbólico nesse resultado: as mulheres ganharam protagonismo. Vale lembrar que o partido é comandado nacionalmente por uma mulher, a Deputada Federal reeleita por São Paulo, Renata Abreu.

Dra. Rayssa entra para a história como senadora eleita com uma votação extraordinária, enquanto Dra. Erica chega à Câmara Federal em sua primeira eleição. É uma mudança significativa em um ambiente político historicamente dominado por homens. O resultado das urnas, portanto, não produziu apenas vencedores. Produziu uma nova correlação de forças.

E se há algo que a eleição de 4 de outubro deixou claro é que o Podemos não saiu apenas vitorioso: saiu maior, mais estruturado e com uma liderança política que agora terá peso ainda maior nas decisões sobre o futuro do Amapá.

A política amapaense mudou de tamanho — e o Podemos parece ter decidido ocupar uma parte importante desse novo espaço.

Adriana Garcia

Jornalista na Amazônia

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