
André Ventura desafia o socialismo e disputa presidência de Portugal. Foto: Rede social do CHEGA
Depois de quatro décadas, Portugal volta a ter uma eleição presidencial decidida em segundo turno. André Ventura, líder do partido conservador CHEGA, disputará a presidência contra o socialista Antônio Seguro no próximo dia 8 de fevereiro.
Há mais de cinquenta anos a esquerda governa Portugal, e há quarenta as eleições presidenciais eram definidas já no primeiro turno. Esta é a primeira vez que um candidato identificado com a direita chega à fase final da disputa, fato que já é considerado uma vitória histórica para o campo conservador.
A apuração ainda não foi totalmente encerrada, mas o resultado está matematicamente definido, sem grandes alterações. Até o momento, Antônio Seguro aparece em primeiro lugar com 31,13% dos votos, seguido por André Ventura, com 23,49%.
Ventura tem sido constantemente rotulado pela grande mídia como “extrema direita”, numa tentativa de desqualificar sua candidatura. Seus apoiadores, porém, o enxergam como uma voz patriótica e antissistema, semelhante ao papel desempenhado por Jair Bolsonaro no Brasil. Ele se apresenta como defensor dos valores cristãos, do conservadorismo e como opositor da agenda progressista.
Para o segundo turno, o voto dos emigrantes portugueses deverá ser decisivo. Grande parte deles declara apoio ao CHEGA. Muitos deixaram Portugal justamente por discordarem dos rumos socialistas do país e agora têm a oportunidade de influenciar diretamente o futuro da nação, mesmo vivendo no exterior.
Portugal possui 11.017.202 eleitores aptos a votar. No primeiro turno, apenas 5.767.057 compareceram às urnas, o que representa uma participação de 52,3%. Entre os cerca de 1,7 milhão de portugueses residentes fora do país com direito a voto, apenas 68 mil participaram – pouco mais de 4%. No Brasil, onde vive uma grande comunidade portuguesa, a maioria dos votos foi favorável a André Ventura.
Os números evidenciam que a elevada abstenção tem favorecido historicamente a esquerda. Em Portugal, o índice de ausências chegou a 48%, enquanto no exterior atingiu impressionantes 96%. Por isso, a grande mobilização agora é para convencer os eleitores a exercerem seu direito no dia 8 de fevereiro.
“Temos que conquistar o voto emigrante, porque agora todos vão se unir contra nós. No primeiro turno, Ventura enfrentou todos os partidos. No segundo, será novamente ele contra todo o sistema”, afirmou Luisa Vaz, deputada municipal do CHEGA.
Segundo ela, André Ventura representa uma mudança histórica no destino de Portugal, enquanto o socialismo simboliza, como em outros países, decadência econômica, enfraquecimento dos valores e perda de liberdades individuais.
“Portugal precisa avançar, e isso não acontecerá com os socialistas que estão no poder há 51 anos”, declarou.
Luisa também reforça que os eleitores residentes no exterior têm o mesmo peso que os que vivem em território português e representam cerca de 15% do total de inscritos. Apesar das dificuldades para votar nos consulados e da falta de informações adequadas, ela faz um apelo à participação:
“Precisamos dar um murro na mesa e ajudar o nosso Portugal. André Ventura nos valoriza, e cabe a cada cidadão fazer sua parte para elegê-lo.”
Ela lembra que mesmo quem não votou no primeiro turno pode votar no segundo. A votação será presencial nos consulados portugueses, e é fundamental que os eleitores verifiquem se estão devidamente inscritos e com a documentação regularizada.
Em Portugal, o voto não é obrigatório. Eleitores que não estiverem em sua cidade no dia da eleição podem solicitar o chamado “voto em trânsito”, mediante comunicação antecipada por meios eletrônicos ou carta. Para o segundo turno, quem desejar antecipar o voto poderá fazê-lo no dia 1º de fevereiro, desde que faça o requerimento dentro dos prazos legais.
Diferentemente do centro-direita tradicional, que integra o sistema político há décadas, André Ventura se apresenta como uma liderança verdadeiramente antissistema, capaz de mobilizar eleitores afastados da política. O partido CHEGA consolidou-se como a principal força conservadora do país.
Historicamente, quem vence as eleições presidenciais em Portugal costuma permanecer no poder por cerca de dez anos, já que os mandatos são de cinco anos com possibilidade de reeleição. Por isso, segundo apoiadores de Ventura, permitir que a esquerda vença novamente significará uma década de continuidade das mesmas políticas, com impactos econômicos, morais e sociais profundos.
Para o eleitorado conservador, o segundo turno representa uma oportunidade única de mudança. Agora, o futuro político de Portugal depende diretamente da participação popular e da decisão que será tomada nas urnas no dia 8 de fevereiro.
Adriana Garcia
Jornalista na Amazônia
Colabore e anuncie onde você encontra conteúdo de valor.

