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 eleicao ditadura

Até quando a população aceitará representantes que não representam a vontade de quem os elegeu?

A cronologia do golpe, com vários golpes pelo caminho, começou com a liberação de um condenado para concorrer à Presidência em 2022, tendo como cabo eleitoral a Justiça brasileira, que “cumpriu a missão” de colocá-lo novamente na Presidência. Um pleito conduzido e concluído de forma completamente suspeita fez milhões de brasileiros irem às portas dos quartéis, em todo o Brasil, iludidos de que seriam socorridos de alguma forma. O dia 8 de janeiro foi o ápice, quando conseguiram transformar vítimas não apenas em vilões, mas em terroristas golpistas. É o famoso: “Acuse-os do que você é e do que faz”.

São quatro anos de presos políticos, censura e avanço da ditadura judicial. E a única coisa que sobrou para a “democracia” foi um museu. Cômico, se não fosse trágico. O maior líder político da direita foi condenado não apenas à inelegibilidade por oito anos, mas também a 27 anos de prisão por um “golpe” que nunca deu, mas que sofreu.

Achávamos que não sobreviveríamos ao resultado eleitoral anunciado por Moraes, colocando Lula novamente na Presidência. Muitos, de fato, não sobreviveram. Morreram sem a cirurgia, sem o remédio, sem segurança pública e até mesmo presos, sem crime, esperando por uma anistia que nunca veio e por uma dosimetria que foi aprovada, mas nunca executada.

O Brasil e o mundo assistiram a um pleito descaradamente comprometido, com um resultado marcado pela parcialidade, consequência de uma campanha criminosa, de uma condução eleitoral suspeita e de decisões judiciais ilegais e monocráticas após a conclusão da coleta dos votos, interrompendo a apuração por duas horas. O candidato que todas as pesquisas e também o mercado apontavam como vencedor foi declarado derrotado. E não apenas isso: sete minutos depois, foi emitido um documento determinando o recolhimento de seu passaporte. Dois dias após essa decisão persecutória, ele foi resgatado, junto com sua família, para outro país e passou a ser tratado pelos “vencedores” do pleito suspeito como se criminoso fosse, como se estivesse deixando o país para fugir das consequências de algo que tivesse cometido.

Agora chegamos ao dia de hoje, olhando para trás, cinco dias depois. Alguns querem o famoso “vida que segue”, inclusive aliados que enterraram Bolsonaro vivo em 2022 e agora querem enterrar Flávio vivo em 2026, acreditando que podem ocupar o espaço deixado. Quanto mais tentam, mais impossível será conquistar o voto dos bolsonaristas, que se sentem traídos, assim como seus verdadeiros líderes. É mais provável que esses políticos se tornem os candidatos perfeitos da própria esquerda. Essa esquerda sistêmica que também insiste em dizer que é ela quem deve determinar quais serão os candidatos permitidos à direita. Ou seja, querem que voltemos dez anos no tempo e entremos, mais uma vez, no teatro das tesouras PT x PSDB, mas numa versão nova PT X PL, escolhendo apenas aqueles que são controlados pelo sistema e estão nas mãos da corte política suprema.

Bolsonaro pediu maioria no Senado, e o povo deu, juntamente com a eleição de seu filho, que está sendo contestada pela Justiça Eleitoral. Mas agora começam as negociações para a presidência das Casas Legislativas em Brasília. Alcolumbre quer o “Alcolumbre 3”, quando o próprio recado das urnas foi claríssimo: ele é o político mais rejeitado do Brasil e responsável pelo avanço da ditadura judicial, mas insiste em seu modus operandi para continuar presidindo o Poder Legislativo e descumprindo todas as promessas feitas. Nem mesmo seus contemporâneos no Senado parecem suportá-lo mais. Sua reeleição absurda só será possível à base de chantagem. A carta na manga de libertar Bolsonaro não funcionou. Ele prefere continuar preso a confiar novamente em Alcolumbre e não abre mão de ter um presidente do Congresso de direita, pois essa seria a única forma de avançar no impeachment dos ministros políticos e impedir a entrada de novos nomes comprometidos com o mesmo projeto.

A enxurrada de deputados eleitos graças aos puxadores de votos do PL assustou outros partidos que, agora, ao lado de Hugo Motta, tentam mudar as regras do jogo. Tudo para tentar frear a vontade popular, que se manifestou claramente por um governo e por representantes da direita conservadora. Quando era o Tiririca quem puxava votos, estava tudo bem. Agora que é o Nikolas, estão com pressa de aprovar o voto distrital misto. Ou seja, o país está destruído moral e economicamente, há completa ausência de segurança jurídica, as instituições estão desacreditadas, o mundo inteiro só fala na suposta fraude eleitoral que elegeu o Lula 4 e impediu Flávio de assumir a Presidência a partir de 2027, enquanto os políticos fisiológicos se comportam como urubus na carniça: farinha pouca, meu pirão primeiro! Na ânsia pelo poder, não se importam em atropelar a vontade popular e ainda chamam isso de democracia.

Mesmo com um Senado renovado, a perspectiva é sombria, pois a Justiça Eleitoral já estaria alterando os resultados, cassando opositores que venceram nas urnas. Se não podemos escolher, por que fomos votar? Se não serão punidos os crimes cometidos por aliados do Judiciário, por que sustentar órgãos que fiscalizam e julgam no Brasil? No fim, o país está se tornando inviável.

Até para nos informarmos sobre a verdade teremos que recorrer à imprensa internacional, pois a imprensa nacional também acionou o “vida que segue” e já demonstrou que continuará desumanizando Bolsonaro e seus filhos, além de tentar destruir o movimento político legítimo que ele começou. A maioria da população não tolera mais uma falsa oposição, muito menos alianças entre os poderes que a silenciem e a condenem à miséria. O regime ditatorial está tão descarado que, em muitos pontos, o bolsonarismo de direita e o PCO, de esquerda, compartilham a mesma leitura do cenário e opiniões semelhantes. Nessa disputa, é o sistema contra o antessistema e setores da esquerda que sempre se comportaram contra o sistema, comungam da direita bolsonarista que representa claramente o antissistema, e por isso, impedida de ter um presidente, ainda que tenha maioria de votos.

Se, antes das eleições, eles já estavam indo para o tudo ou nada, agora, após o resultado que escolheram para continuar impunes, dobrarão a aposta. Resta saber se os novos eleitos para o Congresso Nacional vão arriscar a própria vida e o mandato para defender aquilo para o qual foram eleitos: o impeachment de Moraes e de outros ministros. Ou se vão preferir salvar a própria pele e seus mandatos, reeleger Motta e Alcolumbre e passar quatro anos dizendo aos eleitores que nada podem fazer, como fizeram os eleitos de 2022.

Se escolherem a segunda opção, não lhes restarão eleitores, salários ou emendas. Afinal, numa terra arrasada, sem lei e sem Justiça, o que se consolidará será um Congresso de fachada, sem condições de se sustentar politicamente. Porque os “manés” que perderam em 2022 e continuaram acreditando nas urnas como instrumento para mudar sua representatividade e fazer o Brasil finalmente dar certo já não estão mais dispostos a bancar representantes que ora são inúteis, ora se tornam inimigos daqueles que disseram representar.

Se o que nos espera são mais quatro anos de um governo que consideramos ilegítimo, de falência econômica e de escalada do autoritarismo, com o aval da grande imprensa e das instituições, significa que não existe mais nenhuma razão para acreditar na democracia, muito menos no próprio país, que não precisa de inimigos quando tolera e sustenta seus próprios carrascos.

Adriana Garcia

Jornalista na Amazônia

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