
Segundo pesquisa, 48% não votariam no governador Clécio. Rejeição comunica cansaço de um modelo. Imagem pública de rede social.
A pesquisa divulgada hoje pelo instituto Real Time Big Data revela uma tendência que já não pode ser ignorada. A população demonstra saber claramente o que não quer mais para o futuro do Estado. Isso fica evidente quando 48% dos entrevistados afirmam rejeitar o nome do atual governador Clécio Luís, que está em plena campanha, mas não consegue avançar nas intenções de voto.
Essa rejeição não se limita a uma pessoa, mas a um modelo de fazer política que parte significativa da população já não suporta. A frase repetida por muitos — “chega da política do atraso” — expressa um sentimento coletivo de cansaço e frustração.
Clécio, segundo críticos, teria perdido sua identidade política, acumula promessas não cumpridas, obras atrasadas e projetos que sequer saíram do papel. Para muitos ele passou a representar um grupo político que prioriza acordos internos e alianças de conveniência, em vez dos interesses da população, que já teve tempo suficiente para avaliar os resultados.
O desânimo é tão grande que muitos amapaenses têm deixado o estado e afirmam não ter intenção de retornar. Outros dizem, inclusive, que fariam questão de viajar apenas para votar na alternativa que representa mudança que é o prefeito Dr. Furlan. Há também aqueles que permanecem na expectativa de que uma eventual vitória dele possa renovar o cenário político e econômico, trazendo desenvolvimento real e não apenas promessas de campanha repetidas a cada eleição. O clima é de que ou é Furlan, ou o Estado já era. O último a sair apague a luz.
Para muitos moradores da capital, onde vive cerca de 60% da população do estado, a gestão municipal teria resgatado o orgulho de morar em Macapá, gerando um sentimento positivo que antes não era comum entre os cidadãos. Esse fator pesa na avaliação popular.
Mas afinal, o que a população chama de “grupo do atraso”? Trata-se de uma engrenagem política desgastada, que teria colocado interesses políticos acima do desenvolvimento do estado, mesmo sendo o Amapá um dos territórios com maior potencial econômico e ambiental do país. Enquanto isso, defensores e observadores da gestão municipal do Dr. Furlan afirmam que, mesmo com recursos limitados, a prefeitura da capital tem buscado entregar obras e serviços de forma mais direta à população.
Essa mudança de mentalidade do eleitor tende também a influenciar as escolhas para deputados estaduais, federais e senadores. Muitos eleitores já percebem que repetir os mesmos nomes pode levar aos mesmos resultados, e por isso procuram apostar em quem demonstrou trabalho contínuo e não apenas presença em período eleitoral. O voto de confiança, nesse cenário, passa a ser visto como ferramenta essencial para renovar a política e abrir espaço para um novo ciclo de desenvolvimento.
O Amapá possui potencial econômico, ambiental e energético ainda pouco explorado. Porém, não é possível esperar resultados diferentes mantendo-se as mesmas práticas políticas. A percepção que cresce entre parte do eleitorado é que, para o novo chegar, o velho precisa sair.
Num estado onde cerca de 73% da população depende de algum tipo de benefício estatal e onde empresários já deixaram a região por não encontrarem ambiente favorável para investir, cresce o entendimento de que é preciso renovar gestores e legisladores para mudar o cenário econômico e social. O desafio é transformar o estado em destino de oportunidades para quem quer trabalhar e prosperar, e não em um lugar marcado pela falta de perspectivas comandado por quem nunca fez questão de criá-las.
Adriana Garcia
Jornalista na Amazônia
