
Gestão interina estaria transformando a prefeitura em curral eleitoral do Clécio e do Dalua, exonerando técnicos com excelentes resultados.
Servidores e pais de alunos da EMEF Prof. José Carlos Lima da Silva, em Macapá, denunciam o que classificam como desrespeito à trajetória e ao trabalho desenvolvido pelo agora ex-diretor da unidade escolar.
Nomeado durante a gestão do ex-prefeito Dr. Furlan, o diretor assumiu a escola em 2025 e, segundo a comunidade escolar, conduziu um período marcado por avanços nos resultados educacionais e pela melhoria dos indicadores da instituição.
Entre os principais resultados apontados estão o avanço nos indicadores do SISPAEAP e, especialmente, o crescimento de dois pontos no IDEB, fazendo a escola saltar de 4,8 para 6,8 e se consolidar entre as unidades com melhor desempenho da rede municipal.
Para servidores e pais, os resultados representam o reflexo de um trabalho coletivo conduzido pela gestão escolar, com planejamento, acompanhamento pedagógico, participação dos profissionais e dedicação à comunidade.Apesar desse desempenho, o diretor foi exonerado na última quarta-feira, sem que, segundo os servidores, tenha sido apresentada uma justificativa pública relacionada ao seu trabalho ou aos resultados obtidos pela escola.
A comunidade escolar interpreta a decisão como possível perseguição de natureza política, especialmente diante do contexto de mudanças promovidas na administração municipal e na gestão da Secretaria Municipal de Educação.A insatisfação levou profissionais da escola e pais de alunos a protocolarem abaixo-assinado junto à Secretaria Municipal de Educação, à Prefeitura de Macapá e ao Ministério Público, solicitando a reconsideração da exoneração e o retorno do diretor ao cargo.
Até o momento, segundo os representantes da comunidade escolar, não houve resposta da secretária municipal de Educação, Karina Alfaia.A exoneração ocorreu ainda às vésperas de um momento simbólico para a escola: a entrega da unidade, cuja conclusão está prevista para a próxima semana após o período de reformas.
Para os servidores, retirar o diretor justamente neste momento desconsidera não apenas sua participação na condução do processo, mas também todo o trabalho desenvolvido ao longo de sua gestão.
A comunidade escolar questiona como uma administração pode desconsiderar, de forma repentina, uma gestão que apresentou resultados expressivos nos indicadores educacionais. O salto de 4,8 para 6,8 no IDEB, aliado à evolução nos resultados do SISPAEAP, tornou a EMEF Prof. José Carlos uma referência dentro da rede municipal, segundo os próprios profissionais da unidade.
Mais do que a permanência de um gestor, servidores e pais afirmam estar defendendo o reconhecimento de um trabalho que, na avaliação deles, trouxe resultados concretos para os estudantes. A cobrança agora é por transparência, respeito à comunidade escolar e uma explicação sobre os motivos que levaram à exoneração de um diretor que, segundo os denunciantes, vinha apresentando desempenho acima da média e resultados positivos à frente da escola.
Adriana Garcia
Jornalista na Amazônia
